Boletim de Economia – 31 de julho de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque mais uma alta prevista para inflação pelo IPCA para 2017. A previsão ficou em 3,40%, ante 3,33% da semana anterior. Vale destacar também que a alta do IPCA esperada para os próximos 12 meses também voltaram a subir, agora para 4,52%, levemente acima da virtual Meta de Inflação.

Ou seja, os agentes do mercado seguem absorvendo o impacto de alguns recentes eventos que têm potencial de trazer inflação para a economia em geral, a saber alta de impostos, inicialmente já aplicada aos combustíveis, e a recente indicação de que uma retomada da economia, mesmo que discreta, possa acelerar o consumo, considerando estoques baixos e câmbio depreciado.

Mesmo assim, a alta na inflação pode ser transitória. O IPCA esperado para 2018 permaneceu em 4,20%, de acordo com o Focus.

A taxa de câmbio para o Dólar para o fim deste ano ficou em R$ 3,30 e para o fim de 2018 permaneceu em R$ 3,43. Para a média, para 2017 a expectativa ficou em R$ 3,22, e para 2018 caiu para R$ 3,37.

A expectativa para a alta do PIB de 2017 permaneceu em 0,34% e para 2018 em crescimento de 2,0%.

A Selic manteve a previsão para o fim do ano de 2017 em 8,0%. Mas, para 2018 os agentes consultados pelo BC agora esperam Selic em 7,75%, apontando que o relaxamento monetário deve se intensificar. A média esperada para este ano segue em 10,06%. Para 2018 a expectativa caiu para 7,75%.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 se mantiveram em US$ 60 bilhões. Já para 2018, a mediana das expectativas caiu para US$ 45 bilhões.


Destaques da Semana


Na semana que passou, o principal destaque ficou por conta da confirmação da queda da taxa de desemprego brasileira, de acordo com a PNAD Contínua, na passagem do primeiro trimestre para o segundo deste ano.

No trimestre encerrado em junho, a taxa de desemprego caiu para 13,0%, que representa 13,5 milhões desempregados. Este número é 4,9% menor do que o registrado para o trimestre imediatamente anterior, o que significa que há um saldo de 690 mil desempregados a menos agora.

Entretanto, a taxa de desemprego é ainda muito superior àquela registrada no mesmo trimestre de 2016. Ou seja, esta recuperação do mercado não recupera ainda o último ano de aprofundamento da precarização do trabalho. De fato, os números do IBGE trazem uma provável precarização do trabalho, com o aumento do emprego informal, já que o número de empregados com carteira assinada se manteve em 33,3 milhões de pessoas, o mesmo do trimestre encerrado em março passado.

Entretanto, a melhora do mercado de trabalho ainda não se reflete na Confiança do Consumidor, que parece depender mais de uma melhora sustentável da empregabilidade e das condições políticas atuais.

O ICC – Índice de Confiança do Consumidor – divulgado pela FGV/Ibre trouxe queda de 0,3 ponto na passagem de junho para 82 pontos. A queda foi altamente influenciada pelo recuo das perspectivas com relação à economia, que apresentou queda de 2,2 pontos.

Ao abrir o índice por classes de consumo fica evidente que os consumidores de renda mais alta seguem em tendência de piora das expectativas, enquanto as classes de rendimento mais baixas melhoram as expectativas.

Já o final da semana trouxe a alta histórica do rombo nas contas públicas brasileiras, com o déficit chegando R$ 35,2 bilhões nos seis primeiros meses de 2017. É o maior déficit para o período registrado desde de 2001.

Com isso, aumentaram as possibilidades de que o Governo não consiga cumprir a Meta Fiscal deste ano, que já é de um rombo de R$ 139 bilhões. Especula-se no mercado que o déficit chegue a R$ 155 bilhões.

Vale destacar que contribuem para o aumento do déficit 3 fatores principais: 1. Frustração das expectativas de desempenho da economia neste ano e, consequentemente, da arrecadação de impostos; 2. Menor arrecadação com receitas extraordinárias, como aquelas advindas da regularização de capitais brasileiros no exterior; e 3. Dificuldade do Governo em aprovar reformas que reduzam despesas, aliada ainda a necessidade cada vez maios de liberar verbas para a bancada governista na Câmara e no Senado com vistas a tentar manter uma base de Governo.

Como nota, vale lembrar que o Copom reduziu, como esperado, mais uma vez a Selic. A redução de 1,0% na taxa básica trouxe novamente a Selic para um dígito, o que pode ajudar a economia a ser reativada, ainda que outros fatores sigam sendo mais importantes.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em alta de 1,26%, aos 65.497 pontos, no maior índice semana desde a semana pré-JBS.

Desta forma, o Ibovespa segue operando acima da suporte de 61 mil pontos, voltando a flertar com os 65 mil pontos.

Resta certo que o cenário político seguirá sendo preponderante, já que as dificuldades em cumprir com a Meta Fiscal implicarão em aumento de impostos, com impacto direto no retorno das empresas que compõem o Ibovespa.

 

 

Câmbio

A moeda americana voltou a recuar nesta semana, 0,20% frente ao Real, seguindo tanto a tendência internacional – o Euro se valorizou 0,47% frente ao Dólar – quanto a eventual melhora do cenário político brasileiro.

Com isso, o Real segue pela quinta semana de valorização, voltando a se aproximar do nível de R$ 3,10.

Parte do mercado ainda dúvida da intensidade da queda, mas o cenário pode trazer o câmbio para abaixo de R$ 3,00.

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado seguiu reduzindo as expectativas de juros de curto prazo.

A DIxPré 360 veio abaixo dos 8,0% a.a., fechando a sexta-feira em 7,96% a.a.. Já a 540 fechou a semana em 8,11% a.a. e a 720 ficou em 8,46% a.a.

Com isso, aumentam as expectativas de mais cortes na Selic, trazendo alguma volatilidade para a taxa real de juros, o que abrirá oportunidades para os aplicadores no mercado.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré segue se ajustando nas pontas mais longas, já que os vértices mais curtos já vêm bastante abaixo dos patamares pré-Delação JBS.

Se Jan/18 e Jan/19 já operaram perto dos 8,0% a.a., agora a Jan/20 opera em 8,76% a.a..

A Jan21 segue recuando, agora para 9,32% a.a. e a Jan22 segue na mesma toada, caindo para 9,72% a.a.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana com os prazos mais negociados em forte valorização novamente.

Tanto a 360 como a 540 fecharam a semana com retorno real abaixo dos 3,5% ao ano, algo que não se via no Brasil há muitos anos.

Com isso, segue-se especulando sobre o impacto da taxa real de câmbio na economia, ainda que o crédito corporativo siga escasso.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

Os prazos mais longos da curva de juros de longo prazo seguem se valorizando, reduzindo o juro real. Esse movimento, abre cada vez mais espaço para investidores institucionais voltarem a analisar oportunidades no mercado de crédito privado.

Ainda que os fundos de pensão sigam com disponibilidade baixa, em breve o crédito privado deverá ser a única saída para cumprir com suas metas atuariais.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção à Produção Industrial, pelo IBGE, e à votação em plenário da Câmara do Deputados sobre a abertura ou não de inquérito contra o Presidente Temer. O placar, ainda que pareça estar garantido a favor de Michel Temer, poderá dar indicativos do apoio que o Governo possa ter para votações importantes, como a da reforma da Previdência.

MENU