Boletim de Economia – 29 de maio de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque a inflação pelo IPCA esperada pelos agentes consultados pelo Banco Central se mantendo abaixo dos 4,0% para 2017. A previsão ficou em 3,95%. Para 2018, a expectativa do IPCA subiu para 4,40%.

Apesar do controle da inflação, o mercado já incorpora nas expectativas impactos do atual cenário político do Brasil. As previsões incorporam o timing da implementação dos esforços de afrouxamento da política monetária, reduziram as expectativas de recuperação da economia e também do desempenho da conta de investimentos.

A taxa de câmbio para o fim deste ano subiu para R$ 3,23 por Dólar Americano, com a média do ano subindo para R$ 3,19. Para 2018, alta para R$ 3,37 ao fim do ano, com a média em R$ 3,33.

A expectativa para o PIB de 2017 caiu para 0,49%. Para 2018, a previsão do mercado também voltou a cair, depois de 9 semanas seguidas de estabilidade. Agora a previsão é de crescimento de 2,48%.

A Selic manteve a previsão para o fim do ano: tanto 2017 como 2018 em 8,50%. Já a média esperada para este ano subiu para 10,28%, mas para 2018 permaneceu em 8,50%.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 cair, agora esperadas em US$ 56,2 bilhões. Para 2018, novo ajuste, agora para USS$ 43,12 bilhões, em alta.

As previsões para o Investimento Direto (FBK) em 2017 caíram e agora estão em US$ 79 bilhões, mas mantém o perfil de alta dos últimos períodos.


Destaques da Semana


O IPCA-15 de maio divulgado na semana confirmou as expectativas de inflação em queda.

Apesar da alta 0,24% do índice nesta passagem, que confirma que os preços seguem em elevação, e em alta frente à passagem anterior (+0,21%), a inflação parece, ao menos, controlada.

Com este resultado, a inflação acumulada em 12 meses por este índice rompeu a barreira dos 4,0%, para chegar a 3,77%. Vale destacar que o IPCA acumulado em 12 meses não ficava abaixo de 4,0% desde agosto de 2007, ou seja, há praticamente 10 anos.

201705_IPCA-15

Nesta passagem, componentes importantes para o consumo das famílias apresentaram resultados bastante favoráveis, tais como transportes (-0,40%), com educação e artigos para residência praticamente estáveis (+0,02% e +0,05%, respectivamente. Entretanto, o subgrupo de Alimentos e Bebidas apresentou alta de 0,42%, mantendo o consumidor brasileiro ainda pressionado por um lado pelos preços ascendentes e, por outro, pelo desemprego persistente.

No mercado financeiro, o caos político-criminal seguiu influenciando os mercados de capitais e deteriorando o risco-brasil. O CDS de 5 anos para o Brasil recuou durante a semana passada, mas ainda segue acima do trade dos últimos 3 meses.

20170526_CDS5Y_Brasil

De fato, a leitura do mercado é que, ainda que o cenário político não atrapalhará a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, o timing se torna mais complicado. Ou seja, a expectativa é que as reformas aconteçam, porém as aprovações e implementações levarão mais tempo. Neste sentido, o risco do Brasil aumenta consideravelmente, já que o cenário político brasileiro não tem proporcionados visões mais positivas.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana se recuperando parcialmente do mega tombo de 8,18% da semana anterior. Esta é a maior queda semanal desde a segunda semana de janeiro.

Ainda que abaixo da suporte de 64.500 pontos, a queda da semana anterior trouxe muitas oportunidades para os investidores, considerando que há muitas empresas que tendem a performar independentemente do cenário político-criminal. Dentre elas, Vale, Petrobras e a própria JBS.

 

 

Câmbio

A moeda brasileira ficou praticamente estável em relação à sexta-feira anterior. O overshooting do 18 de maio não apresentou efeito contínuo e o mercado aguarda os próximos passos.

uro permaneceu em R$ 3,64 e Dólar subiu a R$ 3,26.

É fato que o risco-brasil subiu bastante, 40 bps no 18 de maio, mas recuou na semana, com a menor probabilidade de rompimento institucional contaminando a política fiscal.

As fortes entradas de Dólar seguraram o câmbio, então.

 

 

DI Pré

Na semana de ajuste após o caos pós-Delação JBS ainda não devolveu os patamares de juros anteriores ao mercado.

A 360 agora está pagando juros de 9,22, 30 basis points acima dos 8,92% a.a. de duas semanas antes.

540 fechou a sexta-feira em 9,32% a.a., 39 bps acima da semana anterior à Delação da JBS.

Já a 720 segue ainda mais pressionada, a 9,60% a.a., meio ponto percentual acima dos 9,10% a.a. de 12 de maio.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré acompanhou o clima de ajuste que o mercado passou na semana, procurando achar o caminho da normalidade.

Todos os vértices recuaram na semana, mas a curva ainda não tem estabilidade em um patamar. É fato que a partir de Jan/20, os juros demandados sobem, pois o mercado ainda não tem uma tendência definida para o impacto do cenário político-criminal na política monetária.

 

 

 
DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana com os prazos mais longos acreditando na retomada do rumo da política econômica em detrimento ao momento atual do cenário político-criminal.

A 360 fechou em 4,78% ao ano sobre o IPCA, colocando em cheque a política de juros no curto prazo, entretanto.

Já a 540 e a 720 voltaram a pagar juros reais abaixo dos 5,0% ao ano, mas com cautela ainda devido aos impactos que podem vir do mercado de capitais.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

Depois do spike no retorno demandado pelo mercado na semana anterior, no último período os agentes reduziram a demanda por juros.

Entretanto, as taxas acima de 5,0% sobre a inflação seguem como piso, sendo que a IPCA 2019 voltou ao patamar de março, enquanto a IPCA 2024 e a 2035 estão nos níveis de janeiro.

Os próximos passos políticos serão decisivos no mercado.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Atenções voltadas tanto à Decisão da Taxa Básica de Juros, pelo Copom, nesta semana, com expectativa de queda de 1 ponto percentual, para 10,25% ao ano. Ainda que a inflação acumulada em 12 meses siga com tendência de fechamento do ano abaixo da Meta, o cenário político não apresenta condições de cumprir com sua parte no ajuste econômico, qual seja promover as reformas trabalhistas e previdenciárias no curtíssimo prazo.

Outro destaque virá pela apresentação do resultado do PIB no primeiro trimestre de 2017 no Brasil. O mercado espera alta de mais de 1,0%, apontando para mais um indicador de que a recessão brasileira estaria de fato no caminho de sair da crise.

Ainda, vale ficar de olho na Produção Industrial, também pelo IBGE, que deve trazer alta no mês e estabilidade, ou algo perto disso, na variação anual.

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