Boletim de Economia – 29 de janeiro de 2018


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, trouxe como destaque a contínua alta na expectativa de inflação pelo IPCA para os próximos 12 meses. Pela quinta semana consecutiva as previsões do mercado subiram, ultrapassando agora os 4,0% a.a.

Já as projeções dos analistas consultados pelo BC para o IPCA seguem inalteradas para 2018 e 2019, em 3,95% e 4,25% respectivamente.

O cenário também segue inalterado para a expectativa de Selic ao fim destes anos, com 6,75% neste ano e 8,0% no ano que vem. Já para a média, 2019 agora tem previsão de 7,88%, em leve queda, apontando que o mercado ainda pode revisar para baixo a curva de aperto monetário prevista para estes períodos.

A inflação pode, de fato, ter um caminho mais calmo, já que as expectativas para o Câmbio voltaram a recuar, agora para R$ 3,30 ao fim de 2018, com a média neste patamar também. Para 2019, a taxa esperada para o fim do ano permanece em R$ 3,40, mas média recuou para R$ 3,35, voltando a cair.

Para o PIB, o mercado agora espera em média +2,68% para 2018, em leve baixa em relação à semana passada. Para 2019, a expectativa de alta subiu pela segunda semana seguida, para 3,0%, recuperando este patamar depois de mais de 5 anos.

Já o IDP segue igual, com previsão de US$ 80 bilhões tanto em 2018 quanto em 2019, o que ajudará o País a compor melhor as contas externas do País.


Destaques da Semana


A curta semana para o mercado financeiro, com o feriado pelo aniversário de São Paulo no dia 25 de janeiro, teve como destaque o resultado do IPCA-15 para o primeiro mês do ano.

201801_IPCA-15

Com o resultado de 0,39% apresentado pelo IBGE, o índice trouxe leve alta em relação à passagem anterior, quando veio com alta de 0,35%. Mesmo assim, a inflação apresentada é a segunda menor par ao mês de janeiro desde 1994.

Desta forma, o IPCA-15 inicia o ano em alta, com a inflação acumulada em 12 meses por este índice voltando a ficar acima do piso da Meta de Inflação após 6 meses.

A alta foi impactada principalmente pela aceleração nos preços do grupo Combustíveis, onde o destaque negativo segue sendo a gasolina. Outro impacto que contribuiu para a alta foi o princípio do fim do ciclo de deflação do grupo Alimentos e Bebidas, que em 2018 deve voltar a apresentar alta.

No mercado financeiro, a estrutura termo da taxa de juros brasileira voltou a se deslocar para baixo, considerando o bom cenário que o País vive para a inflação e a estabilidade da taxa de câmbio.

Vale destacar que os vértices mais longos da curva seguem reduzindo ganhos nas últimas semanas, cegando a operar a Jan/21 abaixo dos 9,5% a.a. de retorno.

201180126_ETTJ_PreDI

Com isso, os agentes do mercado podem cada vez melhor prever e avaliar seus riscos, faltando ainda ao País apenas continuar com as reformar macroeconômicas e seguir seu processo de ajuste de preços de salários, que ficará a prova neste ano de recuperação econômica, já que há boas perspectivas para o emprego e para o consumo.

O próprio resultado do Caged divulgado na última sexta-feira trouxe o que parece ser o fim do ciclo de perda de empregos com carteira assinada.

Mesmo com a queda de aproximadamente 21 mil vagas de emprego com carteira assinada em 2017, a expectativa é de que o emprego formal volte a crescer em 2018, seja devido a própria recuperação da economia, ainda a passos comedidos, mas em crescimento, seja pela nova regulamentação do trabalho formal, que incorporará à legalidade um batalhão de trabalhadores hoje ainda marginalizados na economia.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa segue subindo, chegando a sexta semana seguida de alta. Destaca-se que o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo não apresentou queda semanal em 2018, mesmo com o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela S&P, refletindo que o mercado segue apostando na alta do fluxo de caixa para acionistas no futuro próximo.

Ou seja, o mercado segue otimista com relação à economia brasileira.

 

 

Câmbio

A última sexta-feira de janeiro fechou com a moeda americana valendo R$ 3,144 no Comercial e R$ 3,30 no Turismo, praticamente as mesmas cotações de um ano antes. Considerando a inflação tanto de Brasil quanto de EUA, o câmbio praticamente não se alterou.

Com relação ao Euro, o Real perdeu 16,4%, enquanto Dólar perdeu 17%, com a moeda Brasileira seguindo o mercado internacional.

 

 

DI Pré

A DIxPré para 360 dias voltou a apresentar queda nas últimas semanas, refletindo as boas condições de inflação para a manutenção do relaxamento monetário em 2018.

A 360 fechou a semana passada em 6,84% ao ano, completando 8 semanas abaixo dos 7,0% a.a.

A 540 e a 720 também apresentaram quedas recentemente, fechando a última sexta-feira em 7,35% a.a. e 7,98% a.a., respectivamente.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré voltou a se deslocar para baixo, com a Jan/19 voltando a atingir seu piso histórico.

A Jan/20 também voltou a se valorizar, agora operando abaixo dos 8,0% a.a.

Jan/21 fechou a semana em 8,74% a.a., também no piso histórico, assim como a Jan/22, 9,19% a.a., e a Jan/23, em 9,69% a.a.

Até a Jan/25 voltou a operar abaixo dos 10,0% ao ano.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA para 360 dias se estabilizou ao redor dos 1,75% ao ano além da inflação, após ter se valorizado por algumas semanas até este patamar.

Já a 540 e a 720 seguem estáveis, apresentando retornos sobre o IPCA relativamente iguais nos últimos 4 meses.

Com isso a previsibilidade para os juros reais segue bem determinada, ajudando os agentes do mercado a melhor precificar seus riscos.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

Desde meados de dezembro as Tesouro IPCA vêm se valorizando, tendo sido nada afetadas sequer pela queda na nota de crédito do Brasil duas semanas atrás pela S&P.

De fato, os riscos brasileiros parecem já estar bastante bem precificados, com exceção de pequenas alterações que podem se dar de acordo com reformas econômicas ainda a ocorrer.

Caso não ocorram, o mercado deverá, efetivamente, se alterar. Entretanto, até o Carnaval será difícil verificar.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana, atenção à nova taxa de desemprego, pelo IBGE, que deve sair ainda na segunda-feira. Vale também a pena ficar atento ao resultado orçamentário de dezembro de 2017 e ao resultado da Produção Industrial, pelo IBGE.

MENU