Boletim de Economia – 28 de agosto de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque a volta da queda da inflação prevista pelo IPCA para 2017. A previsão ficou em 3,45%, ante 3,51% da semana anterior. Para os próximos 12 meses a expectativa do mercado também voltou a cair, para 4,30%.

O IPCA esperado para 2018 permaneceu em 4,20%, de acordo com o Focus.

A taxa de câmbio para o Dólar para o fim deste ano permaneceu em R$ 3,23 e para o fim de 2018 caiu para R$ 3,38. Para a média, para 2017 a expectativa permaneceu em R$ 3,19, e para 2018 caiu para R$ 3,31.

A expectativa para a alta do PIB de 2017 subiu para 0,39% e para 2018 a expectativa se manteve em +2,0%.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 reduzida para 7,25% a.a., assim como a prevista para 2018.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 caíram levemente para US$ 61,35 bilhões. Já para 2018, a mediana das expectativas ficou em US$ 48 bilhões.

Vale destacar que o Investimento Estrangeiro Direto esperado para 2017 se manteve em US$ 75 bilhões pela nona semana consecutiva, valor que se manteve para 2018.


Destaques da Semana


Na semana que passou, a divulgação do IPCA-15 de novembro trouxe a inflação pelo indicador de 0,35%, o que fez com que o índice acumulado em 12 meses caísse a 2,68%, o menor valor desde março de 1999 (2,64%). Com isso, segue o cenário de boas perspectivas para a queda de juros no curto prazo.

201708_IPCA-15

Vale destacar que apesar de ser a segunda maior alta inflacionária mensal do ano (atrás apenas de fevereiro), a alta registrada é menor que a do mesmo mês do ano anterior e não fosse a alta de preços de combustíveis (+5,96%) e de energia elétrica (+4,27%), o IPCA-15 teria apresentado variação bastante baixa ou nula.

O cenário mais benigno da inflação, juntamente com a melhoria ainda marginal no mercado de trabalho, ajudou a melhorar levemente o Indicador da Situação Atual, que faz parte do Índice de Confiança do Consumidor, do IBRE/FGV.

Segundo a publicação referente ao mês de agosto (1 a 22), o ICC teve queda de 1,1 ponto para 80,9 pontos no geral, mas o ISA apresentou leve alta, de 69,7 para 70,7 pontos.

Entretanto, ao olhar para o futuro, o consumidor brasileiro segue pessimista, impactado principalmente pelas incertezas a respeito da situação financeira familiar. O indicador deste quesito trouxe um recuo de 4,6 pontos, puxando o Índice de Expectativas para baixo, agora para 88,9 pontos (queda de 2,5 pontos em relação à passagem anterior).

No mercado financeiro, a curva de juros segue estável nos vértices mais longos, mas com os mais curtos voltando a prever redução de juros até janeiro de 2018 e manutenção do patamar ao longo daquele ano.

20170825_ETTJ-DIPré

Com Jan/18 e Jan/19 em 7,83% a.a. e 7,85% a.a., respectivamente, o cenário de juros reduzidos ao longo de 2018 parece se cristalizar cada vez mais. Se for considerado que já se apresenta a sexta semana consecutiva em que a curva até Jan/22 apresenta juros nominais de um dígito, o cenário de crédito para o mercado se mostraria com boas perspectivas, não fosse a recente escassez de investidores em dívida corporativa.

Entretanto, com o avanço das reformas estruturais, novidades positivas, ainda que imperfeitas, no cenário fiscal brasileiro, considerando ainda as potenciais privatizações que estão por vir, o mercado já cria as bases para uma melhora sensível no curto prazo.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em alta novamente, desta vez de ultrapassando a barreira dos 70 mil pontos.

O principal índice da Bovespa passou a semana em alta, impulsionado principalmente pelas perspectivas de privatização de empresas estatais. Somente as ações da Eletrobrás tiveram um salto de mais de 40% na semana.

Com isso, o Ibovespa fechou a sexta-feira no maior patamar desde janeiro de 2011. A ver se conseguirá se manter.

 

 

Câmbio

A moeda americana voltou a fechar a semana cotada abaixo dos R$ 3,20 no Comercial, apesar da alta de 0,27 em relação ao período anterior, e no Turismo voltou a operar abaixo dos R$ 3,30.

O Euro fechou a sexta-feira em R$ 3,769, em alta de 1,8% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior.

O Euro voltou a avançar sobre o Dólar, fechando a semana a US$ 1,192 (+1,4%).

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado voltou a prever menores juros para os próximos 2 anos.

A 360 agora flerta com o patamar de 7,5% a.a., fechando a sexta-feira em 7,64% a.a.. A 540 fechou a semana em 7,93% a.a., confirmando o cenário de estabilidade dos juros em 2018.

A 720 voltou ao patamar do início de agosto, para fechar a sexta-feira em 8,36% a.a.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré fechou a semana com o vértice mais curto, Jan/18, em 7,83% a.a., com a Jan/19 em 7,85% a.a., retomando a expectativa de juros abaixo de 8,0% em 2018.

Jan/20 fechou a sexta-feira em 8,68% a.a., também se valorizando.

Jan/21 e Jan/22 seguem abaixo de 10,0% a.a., com a Jan/23 também voltando a ficar abaixo desde nível.

Há muitos anos a curva de juros não ficava tão baixa no Brasil.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana mantendo a previsão de juros de curto prazo abaixo de 4,0% ao ano.

O prêmio acima da inflação subiu levemente para 360 dias, para 3,38% ao ano.

Para 540 e 720 dias, a variação foi de 0 bps e de -3 bps, respectivamente.

O cenário segue estável nas últimas semanas.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

A curva de juros de longo prazo fechou a semana praticamente no mesmo patamar da semana anterior.

A Tesouro IPCA 2019 ficou em IPCA + 3,43% a.a., em leve alta de 6 bps. Já a IPCA 2024 avançou 7 bps, para fechar a sexta-feira em IPCA + 4,87% a.a.

A Tesouro IPCA 2035 fechou a semana em IPCA + 5,23% ao ano, perdendo 3 bps em relação à sexta-feira anterior, mas ainda acima de 5,0% ao ano de juro real.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção para a divulgação do PIB brasileiro no segundo trimestre, que deve trazer crescimento ao redor de 1,0%. Com as contas públicas saem o resultado primário tanto mensal como acumulado, que devem trazer luzes sobre o caminho fiscal do País.

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