Boletim de Economia – 25 de janeiro


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe novamente deterioração das expectativas com relação à economia brasileira.

Para este ano, os analistas consultados pelo BC esperam IPCA de 7,23%, acima da Meta de Inflação, em alta pela quarta semana consecutiva, e queda de 3,00% no PIB, em queda.

Para 2017, as previsões são de IPCA em 5,65%, em alta, e de PIB com leve alta de 0,80% no ano.

Para o Dólar, a previsão é para que se encerre em 2016 em R$ 4,30, com a média em R$ 4,19. Já para 2017, a expectativa foi a R$ 4,40 ao fim do ano, com média de R$ 4,20.

Para os juros, a previsão para a Selic ao fim de 2016 recuou fortemente para 14,64%. A média para o ano voltou para abaixo dos 15% ao ano: 14,84%. Para 2017, a mediana caiu para 12,75% ao fim do ano, com média de R$ 13,16%.

Para a balança comercial, as estimativas do mercado subiram para US$ 37,45 bilhões de superávit em 2016 e US$ 40 bilhões em 2017.


Destaques da Semana


Pouco antes do grande destaque da semana se revelar, qual seja a atabalhoada comunicação do BC com o mercado, o resultado da arrecadação de impostos e contribuições do Governo Federal foi divulgada com queda de 5,6% em 2015 frente a 2014.

Com a carga tributária aumentando, com aumento de impostos e taxas, a recessão que assola o País segue deteriorando as condições estruturais e fiscais do Brasil. De fato, a arrecadação real chegou a R$ 1,27 trilhão, no mesmo patamar de 2010. Ou seja, com o aumento que as despesas do Governo vêm sofrendo, nada mais natural que cada vez se torne mais improvável o cumprimento de superávits fiscais brasileiros. O cenário tem apenas 2 chances de reversão no curto-prazo: ou o Governo consegue prosseguir com um forte programa de cortes de despesas, que para ser alcançado precisa de reformas estruturais que dependem do Congresso, ou traz novas soluções para o aumento de arrecadação, que, além de também depender do parlamento, tem o downside de retardar a retomada do crescimento.

Na análise das componentes da arrecadação, a queda no recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica atingiu expressivos 13,85% e o recuo do valor arrecado com o Impostos sobre Produtos Industrializados ultrapassou os 10%, ambos já com o ajuste inflacionário, em 2015 em relação a 2014, chamam a atenção para o cenário produtivo no Brasil. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido também apresentou uma queda considerável: 13,77% ante um ano e outro. Este cenário está altamente influenciado não só pelas condições atuais, mas também pela confiança do empresariado no futuro. E neste sentido, o Governo tem sido falho em ancorar as expectativas de recuperação da economia local.

Um grande indicativo desta incapacidade dos gestores da economia ficou evidente no que se passou no ambiente de decisão do Copom acerca da taxa Selic.

O Banco Central vem fazendo um esforço nos últimos meses para tentar ancorar novamente as expectativas relacionadas à inflação, e para isso tem usado todos os meios que dispõe: política monetária e comunicação com o mercado. Se por um lado promoveu uma elevação considerável na taxa básica de juros da economia, por outro incrementou o relacionamento com o mercado, apontando para a batalha constante contra a inflação. A partir do último Relatório de Inflação e da Carta Aberta ao Ministro da Fazenda justificando o não cumprimento das Metas de Inflação em 2015, principalmente, o Banco Central vinha sinalizando que aumentaria a Selic. Os reflexos foram diretos nas taxas de juros futuras, com alta nas taxas de juros reais.

Na segunda-feira, em informação já confirmada pelo gabinete da Presidência, o Presidente do BC se encontrou com a Presidente Dilma Rousseff, gerando especulações de que o Palácio do Planalto estaria pressionando o Copom a não elevar os juros. Ainda que a Presidente tenha afirmado que não pressionou Tombini, parece improvável que o assunto não tenha sido tratado.

No dia, seguinte, quando o Copom já estava em reunião, Alexandre Tombini quebrou uma tradição do Copom: a de que o BC não se pronuncia durante as reuniões do comitê. O Presidente do BC rompeu o silencio para comentar a derrubada da previsão de crescimento do Brasil em 2016 e 2017 feita pelo FMI. E ainda, no comunicado, informa que “todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado”. O mercado acusou o golpe, reduzindo as taxas pré de curto-prazo imediatamente, mas aumentando as de longo-prazo. O DI para janeiro de 2017 recuou de 15,38% no dia 19 para 15,15% no dia 20, apontando que o mercado esperava não mais um aumento de 0,5%, mas de 0,25% no Copom, mas aumentou o DI para janeiro de 2021 para quase 17%.

201601-03_taxaPre_vertices

Desta forma, fica claro que o Banco Central acabou trazendo as expectativas de juros do curto prazo – Janeiro/17 e Janeiro/18 – para baixo, mas aquelas referentes ao longo-prazo – Janeiro/20 e Janeiro/21 – para cima.

Ao olhar para a DI x IPCA, o spread sobre o IPCA caiu para todos os vencimentos, o que significa menor taxa de juros real.

201601-03_taxaPrexIPCA_vertices

Como se pode notar no gráfico acima, a taxa de juros real caiu de forma abrupta para Janeiro/17, Janeiro/18 e Janeiro/19, com queda mais suave para Janeiro/20 e leve recuo para Janeiro/20.

Como apenas para 2017 e 2018 os movimentos são semelhantes, ao olharmos para o diferencial entre a curva Pré e a Pré x IPCA, pode-se notar a mudança na percepção do mercado quanto à inflação e risco.

Ao se calcular o IPCA e a taxa de risco implícitos nestas curvas, o que se nota que o efeito é contrário ao controle inflacionário e redução das incertezas na economia brasileira.

201601-03_IPCA+Riscos Impli_vertices

Para todos os vértices em questão, o somatório de inflação + riscos aumentou, e isto tem reflexos diretos na confiança na economia local. Não é estranho, então, que o processo de aversão ao risco brasileiro tenha se intensificado na semana passada.

Para completar a semana de desconfiança com a inflação, a primeira prévia do IPCA de janeiro, o IPCA-15, veio com alta de 0,92%, sendo esta a taxa mais alta para o mês de janeiro desde 2003. Apesar de a inflação mensal ser menor do que a que o índice trouxe em dezembro, em 12 meses os preços seguem apresentando aceleração. Nos 12 meses encerrados agora, o índice chegou a 10,74%, 0,03 ponto percentual acima do calculado em dezembro de 2015.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa completou a quarta semana seguida em queda, fechando a sexta-feira passada em 38.031 pontos. Mas, de fato, a o processo de queda vem ocorrendo há 9 semanas.

Vale, influenciada principalmente pela queda do preço do aço, com influência direta da economia chinesa, e Petrobras, influenciada tanto pelo preço em queda livre do petróleo, como pelas reduções de investimento, seguem dando o tom no mercado. Bancos também preocupam.

 

 

 

Dólar Americano

O overshooting da moeda americana também segue seu processo neste começo de ano, com a moeda tendo atingido sua cotação máxima na história do Real: R$ 4,17 na quinta-feira.

Seguem influenciando o mercado as incertezas sobre a economia brasileira, que provocam mudança de estratégia em direção à segurança do Dólar. É fato que a atabalhoada comunicação do Banco Central em meio ao Copom também ajudou o mercado a piorar as perspectivas.

 

 

 
Euro

No mercado internacional o Euro se desvalorizou em pouco mais de 1% na semana que passou, reduzindo o impacto na cotação frente ao Real.

Assim, a moeda encerrou a sexta-feira cotada em valor praticamente igual à sexta-feira da semana anterior: R$ 4,42. Entretanto, para os turistas, a moeda europeia já esta sendo cotada na casa dos R$ 5,00.

 

 

 

DI Pré

A semana apresentou um deslocamento para baixo da curva de juros de curto prazo (até 720 dias), completamente influenciado pela decisão do Copom de manter a Selic em 14,25% na quarta-feira passada.

A 360 encerrou a sexta-feira cotada abaixo dos 15% ao ano, o que não ocorria desde a primeira semana de setembro, exatamente antes da perda do grau de investimento do Brasil por parte da S&P.

 

 

 

DI IPCA

Com a comunicação atabalhoada do Copom, a queda na curva de juros se refletiu de forma abrupta na DI x IPCA, com um recuo muito forte em uma semana.

A 360 encerrou a sexta-feira cotada a IPCA + 5,41% aa. A 540 ficou em IPCA + 5,11% aa e a 720 em IPCA + 5,51% aa, níveis de 06 de março passado.

Com isso, a taxa real de juros ex-ante apresenta forte redução, o que dificultará o controle da inflação.

 

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

A queda das taxas de juros no curto-prazo tem impactos diretos no controle de inflação, e podem reduzir as bases de taxa de juros para o empresariado, por um lado.

Entretanto, pelo lado do risco, o spread pode sofrer altas.

O aumento do risco no movimento diferente das taxas de juros de longo prazo das NTN. A NTN-b 2035 bateu recorde de preço na semana passada, encerando a sexta-feira em IPCA + 7,9% aa.

 

 

 

Fontes: BMF&Bovespa, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos tem bases semanais, com o fechamento do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana vale mais uma vez ficar atento ao índice de confiaça, da FGV/Ibre, que sai na quarta-feira. Na quinta-feira sai o resultado da última Pesquisa Mensal de Emprego e Salários, do IBGE, que apresentará o resultado do desemprego para o fim de 2015. Ao fim da semana devem sair os resultados do balanço de pagamentos do Brasil.

 

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