Boletim de Economia – 21 de março


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe melhora de algumas expectativas e deterioração de outras em relação à economia brasileira.

Para este ano, os analistas consultados pelo BC esperam IPCA de 7,43%, em baixa de 3 basis points em relação a semana passada. É a segunda semana consecutiva de queda nesta previsão.

Já para o PIB deste ano, a expectativa ficou ainda pior do que na semana anterior: agora o mercado espera queda de 3,6%. É a nona queda seguida, mantendo a tendência de forte deterioração que se apresenta desde julho do ano passado, quando o mercado passou a prever que 2016 seria mais um ano de retração econômica.

Para 2017, as previsões para o IPCA se mantiveram em 6,0%, e para o PIB houve queda da previsão para 0,44%, após 3 semanas de estabilidade.

Para o Dólar, a previsão agora é para que se encerre em 2016 em R$ 4,20, confirmando a quinta semana consecutiva de queda, com a média em R$ 4,00. Já para 2017, a expectativa recuou para R$ 4,30 ao fim do ano, com média de R$ 4,20.

Para os juros, a previsão para a Selic ao fim de 2016 permaneceu em 14,25%, assim como a média para o ano. Para 2017, a mediana para a taxa ao fim do ano se manteve em 12,50%, mas a média caiu a R$ 12,83%, em contínua consolidação do ajuste das expectativas.

As previsões para a Balança Comercial melhoraram a despeito da queda na expectativa para o câmbio. A expectativa de superávit foi a US$ 42,4 bilhões para 2016, e a US$ 46,9 bilhões para 2017, em alta pela quinta semana consecutiva.


Destaques da Semana


O cenário político-criminal seguiu dominando as manchetes e influenciando fortemente o mercado financeiro. Afinal, a nomeação do Lula para Ministro-Chefe da Casa Civil foi vista pelo mercado, e pela sociedade de um modo geral, como uma manobra para que o ex-Presidente escapasse da prisão solicitada pelo Ministério Público de São Paulo. O dólar se valorizou fortemente, passando de R$ 3,59 ao fim da semana anterior para encerar a terça-feira passada em R$3,76. Na Bovespa, o reflexo também foi sentido. Se na semana anterior o Ibovespa oscilou em torno dos 49 mil pontos, ao fim da terça-feira a cotação operou no campo dos 47 mil pontos baixo.

Mas, o bom-humor voltou ao mercado com as liminares que suspenderam a posse de Lula e o mercado se recuperou: real mais forte, Ibovespa mais alto e juros mais baixos.

O gráfico da taxa Pré para os vértices de Janeiro de 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021 deixam claro o compasso dos agentes financeiros.

STTJ-mar03w

A curva em azul mais claro é a da abertura da semana, dia 14 de março, que veio seguindo a tendência de queda da semana anterior. A curva apontava expectativa de queda nos juros. Mas na terça-feira, com a nomeação de Lula, a curva se deslocou fortemente para cima, passando a precificar a piora do cenário, aumentando os juros demandados pelo mercado. Agora o Jan/19 já previa juros no patamar atual. O movimento se deteriorou na quarta-feira, pois a curva já nem precificava mais queda de juros no curto-prazo (linha cinza, no gráfico): o mercado passou a exigir mais taxa em todos os vértices.

Já a partir de quinta-feira, com as divulgações dos áudios dos grampos que geram questionamentos de conduta tanto da Presidente Dilma como do investigado Lula, e as liminares suspendendo a posse do ex-Presidente, a curva se desloca fortemente para baixo, encerrando a semana em forte queda.
Os investidores veem um risco menor em um eventual novo governo. Esta visão é plenamente justificável, já que a incapacidade do Governo atual de conduzir a economia e resolver os problemas do País estão cada vez mais patentes.

É bem verdade que na abertura da semana, o IBC-br, índice de atividade econômica do Banco Central, para o mês de janeiro veio em queda de 0,6%, contrariando as expectativas do mercado, que giravam em torno de alta de 0,1%.

Ou seja, depois de afundar 3,8% no ano passado, a economia brasileira, de acordo com o índice do Banco Central, começou o ano aprofundando a crise. Tendo em perspectiva, em 12 meses o acumulado do resultado chega a -4,48%, o que aponta para a séria possibilidade de que ao final deste ano se confirme o cenário de 2 anos seguidos não só de retração econômica, mas de forte decréscimo, com quedas maiores do que 4%. Nunca antes na história deste País isto aconteceu, pelo menos não desde que a série histórica existe, ou seja, desde o princípio do século passado.


Indicadores


Ibovespa

Pela nona semana consecutiva o Ibovespa apresentou no período alta mais alta que a da semana anterior. E mais uma vez, encerrou a semana na alta. Ainda, o principal índice da Bovespa encerrou a sexta-feira no fechamento mais alto desde 31 de julho. Na quinta-feira chegou a ultrapassar os 51 mil pontos.

O grande impulsionador na alta segue sendo a expectativa de mudança de Governo no Brasil com estatais e bancos puxando a fila dos maiores ganhos.

 

 

Dólar Americano

O mesmo sentimento de expectativa pela mudança institucional no Governo brasileiro segue ajudando o mercado a desmontar a posição comprada em que estava. Com isso, a moeda americana seguiu perdendo valor frente ao Real na última semana.

Cotado a R$ 3,58, o valor mais baixo de o fim de agosto passado, período anterior à saída de capitais relacionada com a perda do grau de investimento do Brasil pela S&P.

 

 

 

Euro

No mercado internacional, o Euro ganhou mais US$ 0,01 frente ao Dólar americano, para encerrar a sexta-feira em US$ 1,12.

Frente a moeda brasileira, o Euro ficou um pouco mais caro durante a semana, acumulando alta de 2,22%.

Com isso, o Euro voltou a operar acima dos R$ 4,00.

 

 

 

DI Pré

A DI x Pré continuou a cair na semana que passou, chegando ao piso na sexta-feira. A 360 ficou estável em 13,69%, mas tanto a 540 como a 720 caíram a 13,51%.

O vértice Jan/17 chegando a operar abaixo dos 13,75%. A Jan/18 encerrou a semana em 13,45% e Jan/21 já se aproxima dos 14%.

Durante a semana a curva chegou a se deslocar para cima, com a possibilidade de Lula na Casa Civil, mas o perigo se dissipa.

 

 

DI IPCA

A baixa atividade econômica segue sendo o catalisador para puxar a inflação para baixo, mas os riscos da economia seguem seguindo o cenário político.
Tanto a 360 como a 540 e a 720 agora operam abaixo dos 6% acima da inflação.

O vértice Jan/17 voltou a operar acima dos 6% para o IPCA implícito + risco, mas os vértices mais longos seguem recuando, caindo abaixo dos 7,5%.

 

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

No cenário de longo-prazo, os papéis do Brasil seguem ganhando valor em relação às semanas anteriores, com o aumento dos rumores de mudança institucional.

A Tesouro IPCA 2019 voltou a cair, operando agora em 6,0%. É o menor valor em mais de 1 ano. A 2024 também recuou, agora para 6,55%. A 2035 também caminha para voltar ao terreno dos 6,5%, tendo encerrado a sexta-feira em 6,58% + IPCA.

A ver os próximos passos do cenário político.

 

 

Fontes: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos tem bases semanais, com o fechamento do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana, mais uma vez o cenário além do cenário político cada vez mais contaminado pelo criminal será destaque, com especial atenção ao embate entre o Superior Tribunal Federal e a Advocacia Geral da União acerca da posse de Luís Inácio Lula da Silva como Ministro-chefe da Casa Civil.

No campo econômico, atenção ao IPCA-15, que deve sair na quarta-feira.

 

MENU