Boletim de Economia – 21 de agosto de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque mais uma alta prevista para inflação pelo IPCA para 2017. A previsão ficou em 3,51%, ante 3,5% da semana anterior. No entanto, a alta do IPCA esperada para os próximos 12 meses voltou a cair, paras 4,43%, em leve queda.

O IPCA esperado para 2018 permaneceu em 4,20%, de acordo com o Focus.

A taxa de câmbio para o Dólar para o fim deste ano caiu para R$ 3,23 e para o fim de 2018 caiu para R$ 3,39. Para a média, para 2017 a expectativa permaneceu em R$ 3,19, e para 2018 caiu para R$ 3,33.

A expectativa para a alta do PIB de 2017 permaneceu em 0,34% e para 2018 em crescimento de 2,0%.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 reduzida para 7,50% a.a., assim como a prevista para 2018.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 subiram levemente para US$ 61,9 bilhões. Já para 2018, a mediana das expectativas caiu para US$ 48 bilhões.

Vale destacar que o Investimento Estrangeiro Direto esperado para 2017 se manteve em US$ 75 bilhões pela oitava semana consecutiva, sendo que para 2018 houve queda para o mesmo patamar de 2017.


Destaques da Semana


Na semana que passou, a Pesquisa de Comércio trouxe alta de 1,2% na série dessazonalizada no consumo do varejo em junho com relação a maio. É a primeira vez desde 2014 que a PMC traz três meses consecutivo de alta. Frente a junho de 2016, a alta ficou em 3,0%, confirmando a possibilidade de um cenário de recuperação.

É fato que o desemprego ainda segue em patamares altos e que o saque do FGTS inativo despejou liquidez na economia, seja pelo consumo seja pela redução do endividamento líquido das famílias no Brasil. Com isso, a queda dos juros foi duplamente favorecida – queda da Selic e queda no endividamento geral – o que ajudou o Comércio a manter a tendência de recuperação.

No acumulado em 12 meses, a queda reduziu-se para 3,0%, mantendo a tendência de recuperação iniciada em outubro passado.

201706_PMC-12m

A contribuição dos números do comércio para o PIB brasileiro ainda é questionável, já que a liquidez trazida pelos saques do FGTS tem horizonte de impacto limitado. Entretanto, o IBC-br, do Banco Central, trouxe alta de 0,5% na passagem de maio para junho.

Com isso, no primeiro semestre o índice ficou praticamente estável, sendo que em 12 meses, o acumulado é de queda de 1,89%. Ou seja, o cenário de recessão segue no Brasil, ainda que suba a probabilidade de melhora.

No mercado de trabalho, os resultados também apontam para, ao menos, o fim da piora. Com os dados da PNAD Contínua divulgados na semana passada, fica evidente que o emprego parou, no momento, de piorar e ensaia melhoras. A taxa de desemprego caiu de 13,7% no primeiro trimestre para 13,0% no segundo trimestre, com uma população ocupada de 90,2 milhões de pessoas.

No mercado financeiro, as expectativas relativas à situação fiscal brasileira trouxeram a curva de juros novamente para cima, anulando os ganhos das pontas mais longas auferidos no último mês.

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Destaca-se que o cenário para Jan/18 está cada vez mais próximo de DI a 8,0% ao ano. Jan/19 segue a tendência passada, com expectativa de juros ao redor dos 8,0% ao ano também.

Ou seja, o cenário de longo prazo, fundamental para a tomada de decisão de investimento dos agentes econômicos interessados em voltar ao mercado, segue altamente volátil e dependente do ambiente político. Com o recrudescimento do apoio da base governista, os vértices Jan/21 e Jan/22 voltaram a operar no mesmo nível de 21 de julho. Já o Jan/20 fechou a semana exatamente no mesmo valor da sexta-feira anterior: 8,84% aa.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em alta novamente, desta vez de 2,01%, aos 68.714 pontos, e pronto para testar a resistência dos 69 mil pontos.

O principal índice da Bovespa passou a semana refletindo as boas expectativas de recuperação econômica e refletiu a alta das ações da Vale, que voltaram a se aproximar do maior valor em 5 meses.

A tendência de alta já dura mais de dois meses.

 

 

Câmbio

A moeda americana voltou a perder valor frente ao Real nesta semana, para fechar a semana em R$ 3,146 no Comercial. No turismo, ao contrário, depois de três semanas de estabilidade, o Dólar voltou a subir, ficando em R$ 3,32.

O Euro fechou a sexta-feira em R$ 3,703, em queda 1,9%, considerando o melhor desempenho da moeda brasileira, mas também a recuperação leve do Dólar no mercado internacional. O Euro fechou a semana a US$ 1,176 (-0,5%).

 

 
DI Pré

Na semana passada o mercado operou praticamente estável em relação à semana anterior para os prazos de até dois anos na DI x Pré.

A 360 segue abaixo dos 8,0% a.a., fechando a sexta-feira em 7,84% a.a.. A 540 fechou a semana em 8,08% a.a., praticamente estável.

A 720 perdeu um pouco de valor, para 8,55% a.a., mas no mesmo patamar da semana passada (8,5% a.a.).

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré fechou a semana com o vértice mais curto, nesta análise, Jan/18 em queda para 8,02% a.a., confirmando a expectativa de juros em queda.

Jan/20 fechou exatamente igual à sexta-feira anterior, enquanto os vértices mais longos voltaram a perder valor e fechar no patamar de 21 de julho passado.

Assim, o cenário segue relativamente estável, porém guiado mais pelo ambiente político do que o econômico.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana se deslocando para baixo, com os prazos mais negociados trazendo menores juros reais.

Com isso, o prêmio acima da inflação caiu levemente para 540 e 720 dias, fechando em 3,4% a.a. e 3,68% a.a., respectivamente.

Já para 360 dias, o juro real caiu para 3,24% a.a., em um tombo de mais de 30 bps, o que é significativo. A ver.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

A curva de juros de longo prazo fechou a semana praticamente no mesmo patamar da semana anterior.

A Tesouro IPCA 2019 ficou em IPCA + 3,49% a.a., em leve queda de 3 bps. Esta variação foi também a da IPCA 2035, que ficou em IPCA +5,20% ao ano.

A Tesouro IPCA 2024 fechou a semana em 4,94% ao ano acima da inflação, recuperando 2 bpsr depois de ter perdido 11 bps na semana anterior.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção ao IPCA-15, que sai no meio de semana, ao Índice de Confiança do Consumidor, que sai na sexta-feira, e ao cenário político, que seguirá ditando as expectativas fiscais brasileiras.

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