Boletim de Economia – 19 de junho de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque a inflação pelo IPCA esperada para 2017 pelos agentes consultados pelo Banco Central caindo ainda mais. A previsão ficou em 3,64%. Para 2018, a expectativa do IPCA caiu para 4,33%.

As taxas de câmbio para o fim deste ano e para o fim de 2018 permaneceram como na semana passada: R$ 3,30 e R$ 3,40, respectivamente, por Dólar Americano. Para a média, para 2017 estabilidade em R$ 3,22, mas para 2018 houve leve alta para R$ 3,22.

A expectativa para o PIB de 2017 caiu para 0,40%. Para 2018, a previsão do mercado também voltou a cair. Agora a previsão é de crescimento de 2,20%.

A Selic manteve a previsão para o fim do ano: tanto 2017 como 2018 em 8,50%. As médias esperadas também se mantiveram: para este ano em 10,28% e para 2018 em 8,50%.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 caíram levemente para US$ 57,4 bilhões. Já para 2018, a mediana das expectativas subiu para US$ 45 bilhões.

As previsões para o Investimento Direto (FBK) em 2017 e em 2018 caíram e agora estão em US$ 78,57 bilhões para este ano e em US$ 78,75 bilhões para 2018.


Destaques da Semana


A semana teve como destaque mais um sinal de que Brasil pode ter chegado ao fim do período de maior recessão da história do País.

O resultado de crescimento de 1% nas vendas do Varejo, de acordo com o IBGE, em abril, na comparação com março, é mais um resultado que aponta para o fundo do poço da economia brasileiro estar ficando para trás.

É fato que no acumulado em 12 meses, as vendas do varejo ainda apresentam resultado extremamente deprimido, com queda de 4,6%. Ainda assim, o resultado é o melhor desde janeiro de 2016, apontando que a queda vem diminuindo. Outro ponto favorável se apresenta na comparação com o crescimento de abril de 2016, aonde o crescimento fica em 1,9%.

O outro dado positivo apresentado pelo IBGE na pesquisa de comércio foi a média móvel de três meses ficando praticamente estável (-0,2%) tanto para o volume de vendas como para a receita nominal.

Com isso, nota-se que no agregado, as vendas do comércio seguem estáveis em -10% em relação ao pico do indicador, ocorrido em novembro de 2014.

Ou seja, o Brasil está ainda longe de recuperar seus melhores momentos em termos de consumo no varejo, mas, ao menos, o cenário de queda parece ter chegado ao fim.

Dentro do resultado, vale destacar que o segmento de Alimentos e Bebidas voltou a apresentar crescimento, de 0,9% na passagem de março para abril, mas ainda insuficiente para recuperar os 6% de queda que já se acumulavam em 2017.

O dado que chama a atenção pelo lado negativo fica por conta do Varejo Ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, ou seja, despesas ligadas a compras de longo prazo. No Varejo Ampliado, a queda é de 1,8% no ano e de 6,3% em 12 meses, mostrando que se há recuperação ela ainda é lenta e promete ser bastante gradual e parcimoniosa.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em queda de 0,94% em relação à sexta-feira anterior, sendo a terceira semana de queda.

O mercado segue cauteloso com o ambiente político criminal brasileiro, que tem apresentado alto risco para a economia local. Afinal, com o Congresso refém do que pode surgir no Judiciário, ficam cada vez mais distantes as aprovações de reformas estruturais, o que deprime a geração operacional de caixa, com aumento das despesas das empresas.

 

 

Câmbio

A moeda brasileira avançou pouco mais de 0,1% nesta semana frente ao Dólar Comercial ficou praticamente estável em relação ao Euro.

O Turismo sofreu um pouco mais, com as férias de julho se aproximando e o ambiente de incerteza trazendo mais turista para antecipar a aquisição de moeda.

A semana fechou com o Euro cotado a R$ 3,69, o Dólar Comercial a R$ 3,28 e o Turismo a R$ 3,47 (+1,17%).

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado voltou a corrigir os rumos do juro futuro no curto prazo. A 360 voltou a pagar menos do que 9,0% ao ano, no patamar do piso dos últimos anos, cotada a 8,96% a.a.

A 540 ainda projeta juros de mais de 9,0% ao ano, mas segue em queda.
O mesmo ocorre para a 720, que ainda não esta no nível da semana pré-Delação JBS, mas aponta para queda.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré acompanhou o clima de ajuste que o mercado passou na semana, procurando achar o caminho da normalidade.

Todos os vértices recuaram na semana, mas a curva ainda não tem estabilidade em um patamar. O mercado segue mais tranquilo com relação ao curto prazo, com Jan/18 e Jan/19 praticamente no mesmo nível. Os outros vértices ainda seguem em patamares altos frente às últimas semanas.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana com os prazos mais negociados operando com retornos acima de 5,0% ao ano além do IPCA.

Com a inflação arrefecendo e o Banco Central sinalizando que os próximos cortes da Selic podem ser mais comedidos, a depender do andar da carruagem política brasileira, há espaço para aumento consistente dos juros reais para os prazos de até 2 anos. A 360 paga 5,3% aa, a 540 5,19% aa e a 720 5,06% aa + IPCA.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

Depois do spike no retorno demandado pelo mercado no momento pós-delação JBS, o mercado parece ter voltado a se estabilizar no patamar de retorno sobre o IPCA de mais de 5% ao ano.

A Tesouro 2019 exigiu um pouco menos de retorno, com 5,11% ao ano além do IPCA, enquanto a 2024 pede 5,59% acima da inflação e a 2035 demanda 5,69% ao ano também acima do IPCA.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção ao IPCA-15, que sai no dia 23, e ao cenário político-criminal, com mais declarações de Joesley Batista com potencial para impactar o mercado financeiro.

MENU