Boletim de Economia – 18 de abril


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe melhora de algumas expectativas e deterioração de outras em relação à economia brasileira.

Novamente, a inflação esperada para os próximos 12 meses teve nova baixa, agora para 6,38%.

Para este ano, os analistas consultados pelo BC esperam IPCA de 7,08%, em queda de 6 basis points em relação a semana passada, acentuando o processo de recuo desta previsão. É a sexta semana consecutiva de queda.

Já para o PIB deste ano, a expectativa ficou ainda pior do que na semana anterior: agora o mercado espera queda de 3,8%. É a décima-terceira queda seguida, mantendo a tendência de forte deterioração que se apresenta desde julho do ano passado, quando o mercado passou a prever que 2016 seria mais um ano de retração econômica.

Para 2017, as previsões para o IPCA voltaram a cair. Agora os analistas consultados pelo BC esperam inflação de 5,93% em 2017. Para o PIB, novo recuo: agora a previsão é de leve crescimento de 0,20%.

Para o Dólar, a previsão caiu fortemente para R$ 3,80 ao fim deste ano, com mais uma queda da média, agora em R$ 3,72. Para 2017, a expectativa caiu em R$ 4,00 ao fim do ano, com média para R$ 4,02, novamente.

Para os juros, a previsão para a Selic ao fim de 2016 caiu fortemente, para 13,38%, com a média para o ano caindo para 14,06%. Para 2017, a mediana para a taxa média do ano caiu para 12,38%, com a expectativa de chegar ao ano em 12,25, em manutenção.

As previsões para a Balança Comercial melhoraram a despeito da queda na expectativa para o câmbio. A expectativa de superávit foi a US$ 45,51 bilhões para 2016, e se mantiveram em US$ 50 bilhões para 2017.


Destaques da Semana


A semana foi de muita atenção com as últimas negociações no Congresso pelos votos e pelo tradicional jabá político que cerca aos guardiões da democracia brasileira.

Com isso, os destaques econômicos ficaram um pouco de lado, mas vale a pena olhar para o resultado da Pesquisa de Comércio, do IBGE. Ainda que a comparação seja com uma base baixa, o crescimento de 1,2% do comércio em fevereiro quando comparado com janeiro, na séria dessazonalizada, pode ser encarado como um bom resultado. É o maior crescimento mensal desde julho de 2013.

Este resultado, apesar de positivo, não foi suficiente para reverter os 4,1% de queda acumulado nos dois meses anteriores, fazendo assim, com que a média móvel trimestral também ficasse negativa, em aproximadamente 1%. Adicionalmente, na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 4,2%, em linha com a forte queda que o PIB brasileiro vem sofrendo.

Entretanto, a taxa referente aos últimos 12 meses ficou estável em -5,3%, apontando que o limite para a queda no varejo possa estar chegando ao limite. Isto, em tese, pode ser ligado também à queda da inflação acumulada. Estes dois movimentos podem apontar para ‘parada’ do processo de piora da economia local. A ver.


Processo de Impeachment – próximos passos


Para que a economia volte a operar positivamente, o mercado vem precificando cada vez mais a mudança institucional no País. Assim, a admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, como aprovado neste domingo, pode trazer uma recuperação da confiança do consumidor por um lado e outra da confiança do empresariado.

Vale destacar que agora o processo segue para o Senado, onde uma comissão especial será formada para avaliar o processo de impeachment, a qual deverá elaborar um parecer para ser votado no plenário.

Ao contrário do que vem sendo dito ou mesmo proferido nos votos da Câmara dos Deputados, até o momento não há votação pelo impeachment da Presidente. Há votação pela admissibilidade do processo, ou seja, pela determinação do prosseguimento da denúncia, sendo que no Senado acontecerá o processo efetivamente. Neste momento, a Presidente ainda não será afastada.

Tanto que o primeiro passo será a formação de uma comissão especial, a qual será formada por senadores e que deverá ter em sua composição a manutenção da proporcionalidade dos partidos dentre os senadores.

Esta comissão não tem prazo para ser formada, então não há garantias de que o processo caminhe de forma célere. Como quem conduz o processo é o último defensor do Governo no Legislativo, o Senador Renan Calheiros, as pressões serão grandes nestas próximas semanas.

Em seguida, a comissão especial deverá preparar um parecer sobre a denúncia, a qual pode ser aceita ou ser arquivada. Não há prazo para que a comissão apresente seu parecer.

A votação do parecer deverá ocorrer no plenário do Senado, com voto aberto, e para ser aprovado o prosseguimento do processo, há a necessidade de 41 votos, dentre os 81 senadores.

Caso seja aprovada continuidade do processo, aí sim, a Presidente é afastada do cargo por até 180 dias, prazo que o Senado tem para finalizar o processo e votar pelo impeachment (e culpa da Presidente diante do crime em julgamento). Caso este prazo seja ultrapassado, a denúncia é arquivada e a Presidente retorna às suas funções.

Para que a Presidente seja impedida de continuar seu mandato, será necessária a condenação no Senado por maioria absoluta, ou seja de 2/3 dos senadores. Estes 2/3 são representados por 54 votos, independentemente do número de senadores presentes à votação.

Outro ponto importante ao processo de impeachment e que vale a pena ser destacado é que o vice-Presidente assume a Presidência, tanto durante o processo no Senado como em caso de impeachment, e o País passa a não ter mais vice-presidente. Em caso e ausência do Presidente em exercício, por qualquer motivo, o Presidente da Câmara dos Deputados assume as funções de Presidente, porém o mesmo não é vice-Presidente.

E neste ponto, vale destacar outro aspecto importante. Em caso de morte, renúncia ou impeachment do vice-Presidente após o impeachment do Presidente, a Constituição determina que novas eleições devem ser convocadas, a ocorrem em até 90 dias. Entretanto, a forma da eleição depende de em que tempo do mandato ocorre o evento de mudança institucional.

Caso o vice-presidente também deixe a Presidência nos primeiros 2 anos do mandato, novas eleições diretas devem ser convocadas. Ou seja, a população escolherá diretamente o novo presidente. Caso a mudança ocorra nos 2 anos finais do mandato, a eleição será indireta, ou seja, quem escolherá o novo Presidente será o Congresso Nacional, através do voto dos deputados federais e dos senadores da República. Vale destacar que, ainda que indireta, a eleição segue sendo democrática, pois o Congresso foi eleito pelo voto direto, pela população.

Ainda, neste caso vale destacar, o novo Presidente eleito, seja por eleições diretas, seja por eleição no Congresso, cumprirá o mandato atual, pelo prazo restante. Assim, no caso atual, caso este fato ocorra, em 2018 haverá, normalmente, a eleição presidencial.


Indicadores


Ibovespa

O clima de otimismo com a votação do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff dominou a semana, puxando o Ibovespa para cima mais uma vez. Na sexta-feira, o principal índice da bolsa paulista encerrou cotado a 53.227, o maior valor em mais de sete meses.

Vale destacar que durante a semana a alta do preço do aço também ajudou a puxar os preços da Vale.

A ver o desenrolar com o novo cenário político-institucional.

 

 

 

Dólar Americano

Assim, como com o Ibovespa, o mercado de câmbio seguiu operando de acordo com as notícias do front político institucional. Durante a semana, chegou a operar bem abaixo dos R$ 3,50 no comercial, demandando forte atuação do Banco Central para conter a queda. Mesmo assim, a moeda americana encerrou a semana em queda de 2,02% na semana.

Com o resultado da admissibilidade do impeachment, há expectativa para valor do Real nos próximos meses.

 

 

 

Euro

No mercado internacional, o Euro se perdeu quase 2 centavos para o Dólar Americano, cotado a US$ 1,12.

No mercado local, a moeda europeia encerrou a sexta-feira cotada abaixo dos R$ 4, pela primeira vez desde novembro, em queda de2,6% em relação à semana anterior.

 

 

 

 
DI Pré

A DI x Pré voltou a operar em queda nesta semana, com a 720 voltando a operar abaixo do 13%, o que não ocorria desde julho.

A 360 ficou recuou para 13,38% a.a.. A 540 se aproximou dos 13,09%.

O vértice Jan/17 segue apontando queda da taxa básica de juros no segundo semestre. Já a Jan/18 caiu abaixo dos 13%, encerrando a semana em 12,96%. Jan/19, Jan/20 e Jan/21 também caíram, ficando em torno dos 13% a.a..

 

 

DI IPCA

A baixa atividade econômica segue sendo o catalisador para puxar a inflação para baixo, mas os riscos da economia seguem seguindo o cenário político.
A 540 e a 720 seguem em torno dos 6,50% acima da inflação.

Com a inflação em queda, a velocidade da queda da taxa básica e do DI Pré ditará o ritmo do provável recuo da DI x IPCA nos próximos meses.

 

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

No cenário de longo-prazo, o mercado voltou a reduzir a percepção ao risco da economia brasileira. Isso pode ser visto também no CDS brasileiro, que está operando em 329 basis points, mantendo a trajetória de queda iniciada neste ano.

Tanto a Tesouro IPCA 2019, como a 2024 e a 2035 agora apontam para o retorno de 6,0% acima do IPCA.

A 2019 agora paga IPCA + 6,25% a.a., a 2024 IPCA + 6,13% a.a. e a 2035 IPCA + 6,26% a.a..

 

 

Fontes: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos tem bases semanais, com o fechamento do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana, atenção com o IPCA-15, que deve voltar a apontar para a redução da inflação no longo-prazo. Também deve sair nesta segunda-feira o IBC-br, do Banco Central, não divulgado na semana passada. A expectativa segue de baixa em fevereiro, em torno de -0,60%.

No campo político, atenção aos procedimentos no Senado para decidir pelo afastamento ou não da ainda Presidente Dilma Rousseff.

 

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