Boletim de Economia – 14 de março


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe melhora de algumas expectativas e deterioração de outras em relação à economia brasileira.

Para este ano, os analistas consultados pelo BC esperam IPCA de 7,46%, em baixa de 13 basis points em relação a semana passada.

Já para o PIB deste ano, a expectativa ficou ainda pior do que na semana anterior: agora o mercado espera queda de 3,54%. É a oitava queda seguida, mantendo a tendência de forte deterioração que se apresenta desde julho do ano passado, quando o mercado passou a prever que 2016 seria mais um ano de retração econômica.

Para 2017, as previsões para o IPCA se mantiveram em 6,0%, e para o PIB em 0,50%. É a terceira semana de estabilidade na previsão para o PIB. Em tempos de deterioração, não piorar é boa notícia.

Para o Dólar, a previsão agora é para que se encerre em 2016 em R$ 4,25, em leve recuo, com a média em R$ 4,12, já incorporando os recentes recuos no câmbio. Já para 2017, a expectativa recuou para R$ 4,34 ao fim do ano, com média de R$ 4,25.

Para os juros, a previsão para a Selic ao fim de 2016 permaneceu em 14,25%, assim como a média para o ano. Para 2017, a mediana para a taxa ao fim do ano voltou a ser de 12,50%, mas a média de R$ 12,89%, em contínua consolidação do ajuste das expectativas.

As previsões para a Balança Comercial melhoraram a despeito da queda na expectativa para o câmbio. A expectativa de superávit foi a US$ 41,2 bilhões para 2016, e a US$ 43,2 bilhões para 2017, em alta pela quarta semana consecutiva.


Destaques da Semana


O cenário político-criminal seguiu dominando as manchetes e influenciando fortemente o mercado financeiro. Afinal, o pedido de prisão do ex-Presidente Lula ajudou a derrubar ainda mais a cotação do Dólar Americano, que fechou na menor cotação desde agosto passado. Vale lembrar, em agosto o Brasil ainda não havia permitido o grau de investimento pela Standard&Poors, a primeira agência classificadora de risco a derrubar o País para dívida junk.

Com isso, o resultado do IPCA de fevereiro, que ficou em 0,9% no mês, acabou reverberando pouco na imprensa. Ainda que a variação permaneça alta, há alguns pontos que são importantes. O resultado de fevereiro trouxe queda na inflação acumulada em 12 meses pela primeira vez desde setembro do ano passado. Com o índice do mês passado, o IPCA de 12 meses ficou em 10,36%, abaixo dos 10,71% do mês anterior.

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Outro aspecto importante está ‘dentro’ do índice. No mês passado, a componentes de Alimentação e Bebidas teve inflação de 1,06%, arrefecendo frente à alta de 2,28% em janeiro. Além disso, a inflação de serviços também está em queda no acumulado em 12 meses. No mês passado, este índice ficou em 7,86%, chegando ao terceiro mês em queda. Ou seja, há bons indicativos de que a inflação pode estar iniciando uma trajetória de queda. A notícia ainda não pode ser comemorada, mas os próximos resultados do IPCA podem trazer prognósticos de dias melhores.

Até por isso, a Ata do Copom, que saiu no meio-de-semana, manteve o discurso das últimas atas, apontando para as incertezas do mercado e a expectativa de arrefecimento do IPCA ao longo de 2016, para somente ao fim de 2017 convergir para o centro da Meta de Inflação.

Ao fim da semana, o IBGE divulgou a Pesquisa Mensal de Varejo referente ao mês de janeiro. O resultado foi de queda de 1,5% em relação a dezembro de 2015, fazendo com que o acumulado em 12 meses ficasse em um recuo de 5,2%. Este resultado é o pior da série histórica, iniciada em 2001 e dá mais uma boa noção de o quão séria é a crise na ponta do consumo.

Outro indicador que aponta para esta seriedade é o resultado do varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção. A queda em janeiro em relação a dezembro passado foi de 1,6%, com queda na receita nominal de 0,7%. Em 12 meses a queda é de 9,3%.

No mês passado, todas as atividades apresentaram queda. Setorialmente, chamam a atenção o recuo de 12,3% em Móveis e Eletrodomésticos e a queda de 0,9% em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Em 12 meses, esta atividade já tem recuo de 3,0%, o que é bastante preocupante, considerando que esta atividade é de primeira necessidade para o consumidor.


Indicadores


Ibovespa

Pela oitava semana consecutiva o Ibovespa apresentou no período alta mais alta que a da semana anterior. E desta vez, encerrou a semana na alta. Ainda, o principal índice da Bovespa encerrou a sexta-feira no fechamento mais alto desde 06 de agosto.

É verdade que as altas do aço e do petróleo seguem puxando os preços de Vale e Petrobras, mas o grande impacto na alta segue sendo a expectativa de mudança de Governo no Brasil.

 

 

 
Dólar Americano

O mesmo sentimento de expectativa pela mudança institucional no Governo brasileiro segue ajudando o mercado a desmontar a posição comprada em que estava. Com isso, a moeda americana seguiu perdendo valor frente ao Real na última semana.

Cotado a R$ 3,59, o valor mais baixo de o fim de agosto passado, período anterior à saída de capitais relacionada com a perda do grau de investimento do Brasil pela S&P.

 

 

 

Euro

No mercado internacional, o Euro ganhou mais US$ 0,01 frente ao Dólar americano, para encerrar a sexta-feira em US$ 1,11.

Frente a moeda brasileira, o Euro ficou barato durante a semana, acumulando queda de 3,44%.

Com isso, pela primeira vez em mais de 3 meses o Euro fechou a semana cotado abaixo dos R$ 4,00.

 

 

 

 
DI Pré

A DI x Pré continuou a cair na semana que passou, chegando ao piso na sexta-feira. A 360 encerrou a semana em 13,69%, precificando já as quedas na Selic que o Copom pode promover a partir do início de 2017. Afinal, o vértice Jan/17 operou abaixo dos 14% após a Ata do Copom, com o Jan/18 se aproximando de 13,50%.

A 540, então, caiu de forma mais pronunciada, encerrando a sexta em 13,60%. A 720 ficou em 13,63%.

 

 

DI IPCA

A baixa atividade econômica segue sendo o catalisador para puxar a inflação para baixo, mas os riscos da economia seguem seguindo o cenário político.

A 540 da DI x IPCA fechou a semana passada cotada a 6,04% além da inflação, e a 720 em 6,03%.

O vértice Jan/17 voltou a operar abaixo dos 6% para o IPCA implícito + risco, apontando para a continuidade do deslocamento para baixo da curva.

 

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

No cenário de longo-prazo, os papéis do Brasil seguem ganhando valor em relação às semanas anteriores, com o aumento dos rumores de mudança institucional.

A Tesouro IPCA 2019 voltou a cair, operando agora em 6,11%. A 2024 também recuou, agora para 6,59%.

A 2035 também caminha para voltar ao terreno dos 6,5%, tendo encerrado a sexta-feira em 6,67% + IPCA.

A curva está de volta ao patamar de julho passado.

 

 

Fontes: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos tem bases semanais, com o fechamento do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana, mais uma vez o cenário além do cenário político cada vez mais contaminado pelo criminal será destaque. Apesar de improvável, pode ser declarada a prisão do ex-Presidente Lula. Apesar de improvável, Lula pode virar ministro.

No campo econômico, destaque para a Pnad Contínua, do IBGE, e para o IBC-br, do Banco Central.

 

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