Boletim de Economia – 12 de junho de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque a inflação pelo IPCA esperada para 2017 pelos agentes consultados pelo Banco Central caindo ainda mais. A previsão ficou em 3,71%. Para 2018, a expectativa do IPCA caiu para 4,37%.

As taxas de câmbio para o fim deste ano e para o fim de 2018 permaneceram como na semana passada: R$ 3,30 e R$ 3,40, respectivamente, por Dólar Americano. Para a média, para 2017 estabilidade em R$ 3,22, mas para 2018 houve leve alta para R$ 3,22.

A expectativa para o PIB de 2017 caiu para 0,41%. Para 2018, a previsão do mercado também voltou a cair. Agora a previsão é de crescimento de 2,30%.

A Selic manteve a previsão para o fim do ano: tanto 2017 como 2018 em 8,50%. As médias esperadas também se mantiveram: para este ano em 10,28% e para 2018 em 8,50%.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 subiram para US$ 57,8 bilhões. Para 2018, manutenção da expectativa em USS$ 43,06 bilhões.

As previsões para o Investimento Direto (FBK) em 2017 e em 2018 subiram e agora estão em US$ 80 bilhões, mas mantém o perfil de alta dos últimos períodos.


Destaques da Semana


O IPCA de maio divulgado na semana confirmou as expectativas de inflação em queda. Apesar da alta 0,31% do índice nesta passagem, que confirma que os preços seguem em elevação, e em alta frente à passagem anterior (+0,14%), a inflação parece, ao menos, controlada.

Com este resultado, a inflação acumulada em 12 meses por este índice rompeu a barreira dos 4,0%, para chegar a 3,28%. Vale destacar que o IPCA acumulado em 12 meses não ficava abaixo de 4,0% desde julho de 2007, ou seja, há praticamente 10 anos.

201705_IPCA

Destaca-se ainda que a inflação acumulada em 12 meses não era tão baixa desde maio de 2007, que com o quadro de alto desemprego ainda persistente no País e os resultados negativos do mercado de consumo, ainda configuram um quadro recessivo na economia brasileira, mesmo que o PIB tenha voltado a crescer.

Nesta passagem, componentes importantes para o consumo das famílias apresentaram resultados bastante favoráveis, tais como alimentos e bebidas (-0,35%), com transportes caindo 0,42%, com o preço de veículos novos caindo 0,85% e o do etanol com recuo de 2,17%. Por outro lado, o grupo Habitação apresentou elevação de 2,14% e praticamente dominou a alta. A elevação de mais de 8% no preço da energia elétrica, fruto do fim dos descontos concedidos até abril, contribuiu fortemente para a inflação do mês de maio.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em queda de 0,48% em relação a semana anterior.

Os 62.210 pontos do fechamento de sexta-feira ajudaram na queda da semana, mesmo que o mercado já esperasse a absolvição da Chapa Dilma-Temer no TSE.

Entretanto, o mercado segue avaliando que o cenário para as empresas brasileiras seguirá difícil, mesmo com a recuperação de EUA e Europa e o crescimento moderado da China.

 

 

Câmbio

A moeda brasileira perdeu mais de 1,0% de valor na semana que passou, com a cotação do Dólar Americano voltando a se aproximar dos R$ 3,30, em patamar não visto desde 2016.

Mesmo na semana de overshooting pós-JBS, o Real não havia encerrado a semana neste patamar.

Fato é que a instabilidade brasileira segue dificultando novos investimentos e há ainda muita incerteza para impulsionar a economia e voltar a atrair segurança para o Brasil.

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado voltou a acomodar as reações da Ata do Copom que apontou que a Selic pode cair de forma mais moderada. Tanto a 360 como a 540 e a 720 voltaram a pagar menos de 10% a.a. em juros.

Mesmo com as 17 citações da palavra “incerteza” na Ata passada, o IPCA de maio trouxe a inflação acumulada em 12 meses para mais perto do Piso da Meta de Inflação, o que deve pressionar o Copom a relaxar mais a política econômica.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré acompanhou o clima de ajuste que o mercado passou na semana, procurando achar o caminho da normalidade.

Todos os vértices recuaram na semana, mas a curva ainda não tem estabilidade em um patamar. É fato que a partir de Jan/20, os juros demandados sobem, mas este vértice voltou a pagar menos do que 10,0% ao ano.

O cenário segue incerto, apresentando oportunidades.

 

 
DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana com os prazos mais negociados fechando a curva em 5,0% ao ano acima do IPCA.

Com a inflação arrefecendo e o Banco Central sinalizando que os próximos cortes da Selic podem ser mais comedidos, a depender do andar da carruagem política brasileira, há espaço para aumento consistente dos juros reais para os prazos de até 2 anos.

A 360 paga 4,95% aa, a 540 4,98% aa e a 720 4,95% aa + IPCA.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

Depois do spike no retorno demandado pelo mercado no momento pós-delação JBS, o mercado parece ter voltado a se estabilizar nos patamar de retorno sobre o IPCA de mais de 5% ao ano.

A Tesouro 2019 segue estável ao redor dos 5,2% ao ano além do IPCA, enquanto a 2024 e voltou ao patamar de março, enquanto a 2024 e a 2035 voltaram a pagar 5,75% ao ano consistentemente nesta semana.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana de feriado na quinta-feira, atenção às vendas do Varejo, de acordo com o IBGE. Com resultados seguidamente negativos, mas com quedas em 12 meses cada vez menores, as expectativas apontam para a possibilidade de leve recuperação brasileira.

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