Boletim de Economia – 11 de setembro de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque mais uma alta na previsão do crescimento do PIB para este ano e a volta da alta da expectativa do resultado para 2018, o que não ocorria desde março passado.

O mercado agora espera alta de 0,60% para o PIB de 2017. Para 2018 a expectativa subiu para 2,10%.

A previsão para o IPCA em 2017 caiu para 3,14%, ante 3,38% da semana anterior. Para os próximos 12 meses a expectativa também voltou a cair, para 4,14%. Para 2018 nova queda, para 4,15%, de acordo com o Focus.

A taxa de câmbio para o Dólar permaneceu em R$ 3,20 para o fim deste ano e em R$ 3,35 para o fim de 2018. Para a média, também houve manutenção das expectativas: R$ 3,18 para 2017 e R$ 3,30 para 2018.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 reduzida para 7,00% a.a., e a expectativa para o fim de 2018 apresentou recuo para 7,25%, na mediana.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 subiram para US$ 61,51 bilhões. Para 2018, a mediana das expectativas foi a US$ 49 bilhões, em alta.

O Investimento Estrangeiro Direto segue em US$ 75 bilhões tanto para 2017 com para 2018.


Destaques da Semana


A semana foi aberta com a PIM-PF, do IBGE, que mostrar a produção industrial de julho em alta em relação junho. A alta de 0,8% na série ajustada sazonalmente foi a quarta consecutiva, o que pode significar que um bom caminho para saída da recessão pode estar em curso.

Destaca-se ainda que o resultado mensal foi o melhor para junho desde 2014, quando a recessão iniciava-se, e agora em 2017 o acumulado do ano já soma 0,8% de alta, com o acumulado em 12 meses caindo de -1,9% em junho para -1,1% em julho.

A semana seguiu positiva com a divulgação do IPCA de agosto, que trouxe alta de preços de 0,19% na passagem mensal. Está foi a menor inflação para o mês de agosto desde 2010. Com este resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 2,46%, a menor desde fevereiro de 1999, confirmando o cenário benigno e propício para a queda da taxa básica de juros brasileira.,

201708_IPCA

Chama a atenção a quarta queda consecutiva dos preços do grupo Alimentos e Bebidas, o que pode reforçar uma melhor percepção do consumidor de um cenário de possível retomada do crescimento e final do período de longa recessão brasileiro.

Já na quarta-feira, o Banco Central divulgou a nova Selic. O COPOM – Comitê de Política Monetária – decidiu reduzir a taxa básica brasileira em 1 ponto percentual, para 8,25% a.a.

Com isso, a Selic chega ao menor patamar em 7 anos, o que por um lado reduz os juros finais para a economia em geral, mas por outro cria possibilidades de aumento ou redução dos juros reais, a depender do comportamento da inflação.

No mercado financeiro, a curva de juros voltou a se deslocar para baixo, desta vez de forma mais proeminente, apontando para manutenção de juros no curto prazo, e alta menos intensa no longo.

Na semana passada, os vértices mais longos voltaram a recuar e se aproximaram do patamar de 9,0% ao ano, sendo que Jan/20 e Jan/21 já operam abaixo disso.

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Vale destacar que agora inclusive Jan/24 e Jan/25 estão abaixo de 10,0% a.a. e a Jan/27 opera em 10,02% ao ano.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em alta novamente, desta vez de ultrapassando a barreira dos 73 mil pontos.

Vale destacar que na sexta-feira o Ibovespa chegou a bater seu recorde histórico, ultrapassando os 75 mil pontos. Entretanto, o cenário instável fez o índice recuar para fechar a semana em 73.078, ainda assim em alta semanal.

Seguem se destacando as ações da Vale, a recuperação lenta e gradual da Petrobras e das ações do setor financeiro.

 

 

Câmbio

A moeda americana voltou a fechar a semana em queda, fechando abaixo do patamar dos R$ 3,10. A cotação de R$ 3,095 é a segunda melhor em mais de 2 anos, mostrando que o Real ainda tem força para se valorizar, independentemente do cenário político-criminal brasileiro.

O Euro fechou a sexta-feira em R$ 3,717, praticamente estável em relação ao encerramento da semana anterior. No mercado internacional, o Euro fechou a US$ 1,20 (+1,45%).

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado voltou a prever menores juros para os próximos 2 anos.

A 360 agora esta abaixo do patamar de 7,5% a.a., fechando a sexta-feira em 7,44% a.a.. A 540 fechou a semana em 7,71% a.a., confirmando o cenário de estabilidade dos juros em 2018 e já flertando com queda.

A 720 segue em queda, encerrando a sexta-feira em 8,08% a.a., em mais um recorde recente de queda.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré fechou a semana com o vértice mais curto, Jan/18, em 7,63% a.a., com a Jan/19 em 7,64% a.a., retomando a expectativa de juros abaixo de 8,0% em 2018.

Jan/20 fechou a sexta-feira em 8,34% a.a., também se valorizando.

Jan/21, Jan/22 e Jan/23 seguem abaixo de 10,0% a.a., com a Jan/26 também voltando a ficar abaixo desde nível.

Há muitos anos a curva de juros não ficava tão baixa no Brasil.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana com a previsão de juros de curto prazo ao redor dos 3,5% ao ano.

O prêmio acima da inflação para 360 dias ficou em 3,68% ao ano, em um patamar mais razoável para a economia local.

Para 540 e 720 dias, a variação foi mais intensa, para 3,43% a.a. e 3,63% a.a., respectivamente.

O cenário segue relativamente estável nas últimas semanas.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

A curva de juros de longo prazo fechou a se deslocando para baixo nos papéis em todos os papéis.

A Tesouro IPCA 2019 ficou em IPCA + 3,29% a.a.. Já o prêmio sobre a inflação da IPCA 2024 caiu 10 bps, para fechar a sexta-feira em IPCA + 4,64% a.a.

A Tesouro IPCA 2035 fechou a semana em IPCA + 5,02% ao ano, perdendo 16bps em relação à sexta-feira anterior, mas ainda acima de 5,0% ao ano de juro real.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção para as vendas do Varejo, do IBGE, e para o desenrolar das delações no âmbito da Lava-jato, lembrando que até o fim da semana, quando acaba o mandado do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, há promessa de voarem muitas flechas.

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