Boletim de Economia – 09 de outubro de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque repique da previsão de inflação para 2017 pelo IPCA.

O mercado espera IPCA de 2,98% neste ano, em alta, mas ainda inferior a 3,0%. Para 2018 a previsão é de 4,02%, em queda pela sexta semana consecutiva.

Para o PIB, o mercado prevê alta de 0,70% em 2017, estável em relação a semana passada, e de 2,43% em 2018, em alta pela quinta semana consecutiva.

A taxa de câmbio para o Dólar permaneceu igual a semana passada: R$ 3,16 para o fim deste ano e R$ 3,30 para o fim de 2018. Para a média de 2017: R$ 3,17 e para 2018: R$ 3,24.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 e de 2018 mantida em 7,00% a.a.

As previsões para a Balança Comercial tiveram ligeira alta: 2017 em US$ 63,03 bilhões e 2018: US$ 50,85 bilhões.

O Investimento Estrangeiro Direto segue com expectativa em US$ 75 bilhões tanto para 2017 com para 2018.


Destaques da Semana


A semana começou com a divulgação de que a produção industrial voltou a cair, após quatro altas seguidas da variação mensal. A queda de 0,8% na passagem de julho para agosto, entretanto, trouxe também uma alta de 4,0% em relação ao resultado de agosto de 2016, o que é o melhor resultado para este tipo de comparação desde 2010.

No ano, a indústria já acumula alta de 1,5%, sendo que no acumulado em 12 meses a queda se reduziu para 0,1%, mostrando que seguem positivos os dados para a retomada do setor.

O IPCA divulgado na sexta-feira trouxe alta de preços de 0,16% no mês de setembro, em baixa em relação a agosto, quando o índice variou 0,19%.

Seguem como destaques da baixa inflação a queda nos preços dos alimentos, que registraram queda de 0,41%. Esta foi a quinta queda seguida no grupo, ajudando a puxar a inflação para patamares historicamente baixos.

Com isso, o IPCA acumulado foi a 2,54% nos últimos 12 meses, em alta pela primeira vez desde agosto do ano passado. Ainda assim, o IPCA acumulado segue abaixo do Piso da Meta, o que mantem a janela de oportunidade para o Copom reduzir mais a Selic.

201709_IPCA

De fato, será importante para os próximos meses o entendimento de até onde a inflação de alimentos contribuirá para o controle inflacionário e como se darão os processos de reforma fiscal em andamento no Congresso, já que a dificuldade que o Governo tem para reduzir gastos públicos pode se transformar novamente inflação para a sociedade.

No mercado financeiro, a curva de juros segue precificando novas quedas de juros no curto prazo. Entretanto para o longo prazo agora houve alta generalizada. Na semana passada, os vértices mais longos voltaram a subir, mostrando que ainda há bastante incerteza sobre até onde as taxas de juros brasileiras podem ir.

20170908_ETTJ-DIPré


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a sexta-feira em alta semanal histórica. Vale destacar que durante a semana o principal índice de bolsa de São Paulo chegou a romper os 78 mil pontos, chegando ao seu valor máximo.

Apesar das preocupações tradicionais do mercado com o mundo político, parece se cristalizar no mercado a percepção que bem ou mal, Michel Temer terminará seu mandato, o que reduz a incerteza política e abre o mercado para altas.

 

 

Câmbio

A moeda americana operou em queda na semana, fechando acima do patamar dos R$ 3,15.

Com as apostas de que o FED deverá subir a taxa básica de juros americana em sua próxima reunião, o mercado já precifica uma mudança de portfólio, aumentando a busca por dólares no mercado

Este movimento deverá ocorrer em todo o mundo, especialmente nos mercados emergentes, com o Brasil.

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado operou estável com relação aos juros de curto prazo, já que há poucas novidades no front da inflação, exceto as notícias referentes a preços administrados.

A 360 segue buscando o patamar de 7,0% a.a., fechando a sexta-feira em 7,13% a.a.. A 540 fechou a semana em 7,41% a.a., estável em relação à semana anterior.

A 720 encerrou a sexta-feira em 7,87% a.a., em leve alta.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré fechou a semana com o vértice mais curto, Jan/18, em 7,42% a.a., em ligeira valorização. Já a Jan/19 em perdeu 9 bps para 7,38% a.a..

Jan/20, Jan/21 e Jan/22 voltaram a subir na semana, com a expectativa de que um eventual repique da inflação chame o Copom a voltar a subir os juros em 2 anos.

Com bandeiras de energia em alta, isto pode ocorrer antes.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA segue precificando juros reais menores em 2017 como em 2018.

Vale notar que com a PréxDI subindo e o cupom da DIxIPCA em alta, o resultado é uma expectativa de ligeira alta da inflação nos períodos mais curtos.

De fato, as condições extremamente positivas da inflação de alimentos podem não se apresentar em 2018, abrindo espaço para rodada de alta da inflação. A ver.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

As curvas de longo prazo seguem sugerindo estabilidade de expectativas, com as pontas mais longas mantendo a precificação em torno dos 5,0% ao ano de juros sobre o IPCA.

A 2035 e a 2045 pagam IPCA + 5,14% a.a. se desvalorizando 7 bps na passagem semanal.

Já a 2024 agora paga 4,7% a.a. acima da inflação, perdendo também 7 bps.

A 2019 perdeu 5 bps e paga 3,06% de juro real.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Em semana curta devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida atenção para as vendas do varejo de agosto, segundo o IBGE.

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