Boletim de Economia – 07 de agosto de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque mais uma alta prevista para inflação pelo IPCA para 2017. A previsão ficou em 3,45%, ante 3,40% da semana anterior. Vale destacar também que a alta do IPCA esperada para os próximos 12 meses também voltaram a subir, agora para 4,53%, levemente acima da virtual Meta de Inflação.

O IPCA esperado para 2018 permaneceu em 4,20%, de acordo com o Focus.

A taxa de câmbio para o Dólar para o fim deste ano ficou em R$ 3,25 e para o fim de 2018 permaneceu em R$ 3,40. Para a média, para 2017 a expectativa ficou em R$ 3,20, e para 2018 caiu para R$ 3,35.

A expectativa para a alta do PIB de 2017 permaneceu em 0,34% e para 2018 em crescimento de 2,0%.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 reduzida para 7,50% a.a., assim como a prevista para 2018.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 se mantiveram em US$ 60 bilhões. Já para 2018, a mediana das expectativas subiu para US$ 47,61 bilhões.


Destaques da Semana


Na semana passada, a divulgação da Produção Industrial feita pelo IBGE, a PIM-PF, trouxe alento aos agentes econômicos com a perspectiva de contínua, ainda que lenta e gradual, recuperação da economia brasileira.

O resultado de estabilidade na produção industrial, sem crescimento ou recuo na série com ajuste sazonal, na passagem de maio para junho, resultou em crescimento de 0,5% na produção acumulada do primeiro semestre. Além disso, na comparação do resultado de junho de 2017 contra junho de 2016, sem ajuste sazonal, houve crescimento de 0,5%.

No acumulado em doze meses, o recuo ficou em 1,9%, mantendo a tendência de queda iniciada um ano atrás, em junho de 16.

201706_PIM-PF-mm3m

Vale notar que a média móvel de três meses, conforme o gráfico acima mostra, segue em tendência de alta desde o ano passado, ainda que seja também um movimento oscilante.

Esta recuperação ainda oscilante também pode ser vista pelo fato de que 12 dos 24 setores pesquisados apontaram recuo do indicador, sendo que o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, que tem alto peso no cálculo, trouxe uma queda de 3,9% na passagem mensal.

No mercado financeiro, que segue medindo as expectativas de taxa de juros e refletindo o resultado do afrouxamento monetário que vem sendo promovido pelo Banco Central, a curva de juros vem intensificando seu deslocamento para baixo, como pode-se notar no gráfico abaixo.

201707_ETTJ-DIPré

Vale destacar que além do deslocamento, o vértice Jan/19 passou, no último mês, a precificar juros menores do que em Jan/18, mostrando a confiança de que a taxa de juros seguirá caindo no ano que vem.

Ainda que este movimento não venha se refletindo na disponibilidade de crédito no mercado financeiro para as empresas, pode haver barateamento das linhas de crédito atuais das companhias e aumento do interesse de outros players do mercado financeiro para passarem, ou voltarem, a operar com dívidas e investimentos em projetos do setor produtivo e de serviços.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em alta novamente, desta vez de 2,14%, aos 66.898 pontos.

O principal índice da Bovespa volta a se aproximar dos 70 mil pontos e traz o mercado para testar a capacidade das empresas que compõem o índice para gerar mais resultados no futuro próximo.

É fato que a eventual implementação do novo Refis deverá aliviar a pressão nas empresas, liberando caixa e resultado.

 

 

Câmbio

A moeda americana voltou a recuar nesta semana, 0,30% frente ao Real, seguindo tanto a tendência internacional – o Euro se valorizou 0,19% frente ao Dólar – quanto a eventual melhora do cenário político brasileiro.

Com isso, o Real segue pela sexta semana de valorização, voltando a se aproximar do nível de R$ 3,10.

Parte do mercado ainda dúvida da intensidade da queda, mas o cenário pode trazer o câmbio para abaixo de R$ 3,00.

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado seguiu reduzindo as expectativas de juros de curto prazo.

A DIxPré 360 segue abaixo dos 8,0% a.a., fechando a sexta-feira em 7,88% a.a.. Já a 540 fechou a semana em 8,02% a.a., confirmando a expectativa de juros em até 8,0% a.a em 2018.

Com a 720 em 8,35% a.a., confirma-se um cenário que não se vê no Brasil com frequência: estimulo monetário sem perspectiva de reflexo negativo na inflação.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré segue se ajustando nas pontas mais longas e aprofundando a queda de juros nos vértices mais curtos.

Se Jan/18, Jan/19 e Jan/20 já operam abaixo de 9,0% a.a., agora até o vértice Jan/25 (D+2708) opera abaixo de 10% a.a..

Juros no Brasil com menos de 2 dígitos para prazos tão largos são tão raros que não se tem notícia deles no passado pós-Plano Real.
A ver os efeitos.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana em estabilidade, com os prazos mais negociados tradando entre 340 e 370 bps de juros reais.

Com taxas reais de juros tão baixas seria normal esperar-se um repique inflacionário advindo da demanda. Entretanto, com o mercado de trabalho ainda pressionado e com o consumidor ainda longe de retomar hábitos antigos, eventuais pressões viram da oferta (energia e combustíveis, por exemplo) e do Governo (gastos e impostos).

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

Os prazos mais longos da curva de juros de longo prazo seguem se valorizando, reduzindo o juro real. Esse movimento, abre cada vez mais espaço para investidores institucionais voltarem a analisar oportunidades no mercado de crédito privado.

Tesouro 2024 e Tesouro 2025 voltam a ensaiar retornos acima do IPCA em níveis abaixo de 5,0% ao ano, o que pode reduzir o interesse nestes papeis versus o crédito privado.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção à divulgação do IPCA de julho, que deve trazer a volta da alta de preços, mas ainda influenciada mais pela oferta do que pela demanda. Vale ficar de olho no cenário político, com o Governo Temer tentando reconstruir a base com vistas a aprovar a reforma política e entender se será viável voltar a carga com a reforma da Previdência.

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