Boletim de Economia – 04 de setembro de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque a queda generalizada da inflação esperada para 2017. Em todos os índices pesquisados houve redução.

A previsão para o IPCA em 2017 ficou em 3,38%, ante 3,45% da semana anterior. Para os próximos 12 meses a expectativa também voltou a cair, para 4,19%. Para 2018 nova queda, para 4,18%, de acordo com o Focus.

A taxa de câmbio para o Dólar para o fim deste ano caiu para R$ 3,20 e para o fim de 2018 caiu para R$ 3,35. Para a média, para 2017 a expectativa também recuou, para R$ 3,18, e para 2018 caiu para R$ 3,30.

A expectativa para a alta do PIB de 2017 subiu para consideravelmente, para 0,50%, ante 0,39% da semana anterior, refletindo a boa recepção do mercado à divulgação do PIB do 2º trimestre deste ano. Para 2018 a expectativa se manteve em +2,0%, sendo esta a nona semana consecutiva de manutenção da previsão.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 mantida em 7,25% a.a., mas a expectativa para o fim de 2018 apresentou recuo para 7,13%, na mediana.

As previsões para a Balança Comercial em 2017 se mantiveram em US$ 61,35 bilhões. Para 2018, a mediana das expectativas ficou em US$ 48 bilhões, como na semana anterior.

O Investimento Estrangeiro Direto segue em US$ 75 bilhões tanto para 2017 com para 2018.


Destaques da Semana


Na semana passada, a divulgação do PNAD Contínua, do IBGE, trouxe a taxa de desemprego de 12,8% no Brasil para o trimestre encerrado em julho. Esta taxa é menor que a do trimestre anterior, de 13,6%, mas maior do que a do mesmo período de 2016 (11,6%).

Vale destacar que o número de pessoas desempregadas caiu 5,1% no trimestre, para 13,3 milhões de pessoas. Entretanto, a pesquisa revela que os empregos informais são os responsáveis por boa parte deste resultado. O aumento de pessoas ocupadas no geral foi de 1,2 milhão de pessoas na passagem do período, apesar de em um ano ainda haver queda de 500 mil trabalhadores nesta categoria.

Já o rendimento médio do trabalhador, já após o efeito inflacionário, apresentou um aumento de 3,0% em um ano, para R$ 2.106, apesar de ser 0,22% menor do que o registrado no trimestre anterior (R$ 2.111).

Este cenário mais benéfico do emprego, apesar de instável, ajudou o Brasil a apresentar crescimento do seu Produto Interno Bruto no segundo trimestre do ano, que veio com alta de 0,2% em relação ao trimestre anterior.

Apesar da alta ser menor do que a do 1º trimestre (+1,0%), neste período o crescimento se apresentou de forma mais uniforme na economia e não concentrado no agribusiness. Além disso, na comparação com o mesmo período do ano anterior, esta é a primeira alta desde o primeiro trimestre de 2014.

O resultado do primeiro trimestre foi puxado pelo consumo das famílias, que voltou a crescer (+1,4%), após 9 trimestres. Contribuíram para a alta 6 fatores principais, que resumem bem a dinâmica do crescimento econômico básico: melhora do mercado de trabalho, com alta do emprego (1) e da massa salarial (2), queda dos juros de crédito (3), alta do crédito (4), baixa inflação (5) e disponibilidade de recursos não previstos – saques do FGTS (6).

Vale destacar que para que o crescimento se mantenha ou cresça será necessário manter estes fatores, sendo que para isso as medidas econômicas variam e não estão alinhadas ou com bom alcance de previsão.

No mercado financeiro, a curva de juros segue estável, porém voltando a se deslocar para baixo.

Os vértices mais longos voltaram a recuar e se aproximaram do patamar de 04 de agosto passado, sendo que os mais curtos recuaram novamente, com a Jan/18 apontando para juros de 7,74% a.a.

20170901_ETTJ-DIPré

É a sétima semana consecutiva em que a curva até Jan/23 apresenta juros nominais de um dígito, e na semana passada Jan/24 também se aproximou a este ponto, com 10,04% a.a. Vale destacar que o Brasil pós Plano Real nunca viu uma curva de juros tão longa em patamar de um dígito.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em alta novamente, desta vez de ultrapassando a barreira dos 71 mil pontos.
O principal índice da Bovespa passou a semana em alta, impulsionado pelas boas notícias esperadas sobre a economia brasileira: baixa inflação, alto no emprego, queda nos juros e PIB crescendo.
O cenário político, entretanto, volta a preocupar, com novas delações, anexos e denúncia contra o Presidente Temer.

 

 

Câmbio

A moeda americana voltou a fechar a semana cotada abaixo dos R$ 3,15 no Comercial, a R$ 3,14. No Turismo voltou a operar acima dos R$ 3,30, a R$ 3,32.
O Euro fechou a sexta-feira em R$ 3,726, em baixa de 1,13% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior, ajudado pela queda do Euro no mercado internacional.
Na semana que passou, o Euro fechou a US$ 1,186 (-0,53%), com o mercado analisando possível alta dos juros americanos.

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado voltou a prever menores juros para os próximos 2 anos.
A 360 agora segue flertando com o patamar de 7,5% a.a., fechando a sexta-feira em 7,62% a.a.. A 540 fechou a semana em 7,90% a.a., confirmando o cenário de estabilidade dos juros em 2018.
A 720 segue em queda, encerrando a sexta-feira em 8,30% a.a., em mais um recorde recente de queda.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré fechou a semana com o vértice mais curto, Jan/18, em 7,74% a.a., com a Jan/19 em 7,83% a.a., retomando a expectativa de juros abaixo de 8,0% em 2018.
Jan/20 fechou a sexta-feira em 8,61% a.a., também se valorizando.
Jan/21, Jan/22 e Jan/23 seguem abaixo de 10,0% a.a., com a Jan/24 também voltando a ficar abaixo desde nível.
Há muitos anos a curva de juros não ficava tão baixa no Brasil.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA fechou a semana com a previsão de juros de curto prazo se aproximando dos 3,5% ao ano.
O prêmio acima da inflação voltou a cair para 360 dias, para 3,33% ao ano.
Para 540 e 720 dias, a variação foi mais intensa, para 3,25% a.a. e 3,54% a.a., respectivamente.
O cenário segue relativamente estável nas últimas semanas.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

AA curva de juros de longo prazo fechou a se deslocando para baixo, caindo mais uma vez o prêmio de risco do País.
A Tesouro IPCA 2019 ficou em IPCA + 3,34% a.a., com queda de 9 bps. Já o prêmio sobre a inflação da IPCA 2024 caiu 13 bps, para fechar a sexta-feira em IPCA + 4,74% a.a.
A Tesouro IPCA 2035 fechou a semana em IPCA + 5,18% ao ano, perdendo 5 bps em relação à sexta-feira anterior, mas ainda acima de 5,0% ao ano de juro real.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção para a PIM-PF, do IBGE, que deve mostrar os rumos da produção industrial, para o IPCA de Agosto, também do IBGE, e para a reunião do Comitê de Política Monetária, do Banco Central, que deverá trazer a nova Selic para a economia brasileira.

MENU