Boletim de Economia – 02 de outubro de 2017


Boletim Focus


O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira trouxe como destaque nova previsão de queda para a inflação. Pela segunda semana consecutiva, o mercado espera IPCA inferior a 3,0% em 2017: 2,95% agora.

Para 2018 a previsão é de 4,06%, também em queda.

Para o PIB, o mercado prevê alta de 0,70% em 2017, em alta, e de 2,38% em 2018, também em elevação.

A taxa de câmbio para o Dólar permaneceu em R$ 3,16 para o fim deste ano e em R$ 3,30 para o fim de 2018. Para a média, houve manutenção das expectativas para 2017: R$ 3,17 e queda para R$ 3,24 para 2018.

A Selic teve a previsão para o fim do ano de 2017 e de 2018 mantida em 7,00% a.a.

As previsões para a Balança Comercial também se mantiveram: 2017 em US$ 62 bilhões e 2018: US$ 50 bilhões.

O Investimento Estrangeiro Direto segue com expectativa em US$ 75 bilhões tanto para 2017 com para 2018.


Destaques da Semana


Nesta semana a boa notícia veio da taxa de desemprego, de acordo com PNAD Contínua, do IBGE. Para o trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação ficou em 12,6%, apontando queda de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre imediatamente anterior (março, abril e maio). Entretanto, com relação ao mesmo trimestre de 2016, o desemprego ainda está 0,8 ponto percentual acima, o que mostra que a recuperação da econômica brasileira ainda segue lenta, gradual e longínqua.

Mas, vale destacar que a população desocupada se reduziu em 658 mil pessoas, o que ajuda a melhorar o quadro de bem-estar na sociedade, reforçando previsões de melhores compras de final de ano e dando suporte para a retomada do consumo, principalmente no varejo e no setor de serviços.

O ponto menos atrativo destes resultados positivos vem da informalidade, já que a pesquisa aponta que não houve praticamente nenhum aumento no emprego com carteira assinada, ao passo que o crescimento quase que exclusivamente se concentrou no aumento de vagas informais (+554 mil).

Pelo lado da agenda governamental, o Estado segue contribuindo pouco para impulsionar a economia, com fraco ajuste fiscal e pouca ou nenhuma capacidade de manobra para alterar o rumo desastroso das contas nacionais.

O déficit primário de agosto ficou em R$ 9,6 bilhões, contribuindo para que o acumulado no ano chegue a R$ 85,5 bilhões negativos. Em 12 meses, o resultado já chega a R$ 172,8 bilhões, equivalentes a 2,6% do PIB e bastante acima da meta de déficit para este ano, que é de R$ 154 bilhões. O resultado aponta para o cenário tenebroso que se aproxima do País caso reformas estruturantes não avancem com rapidez nos próximos 18 meses.

No mercado financeiro, a curva de juros segue precificando novas quedas de juros no curto prazo. Entretanto para o longo prazo prevalece a incerteza, com as taxas recuperando terreno em relação a semana passada, ainda que em patamares mais baixos do que os das semanas anteriores.

Na semana passada, os vértices mais longos voltaram a subir e apontar para de 9,25% ao ano.

20170929_ETTJ-DIPré

Para prazos ainda mais longos, Nan/25 Jan/26 seguem abaixo dos 10% ao ano, o que seria altamente positivo caso houvesse disponibilidade de crédito para estes prazos, tanto no mercado local como no institucional.

A evolução das expectativas com relação à economia brasileira é nítida ao analisar-se a curva de longo prazo dos juros brasileiros. Até fins de março, a curva precificava basicamente a mesma rentabilidade acima da inflação para todos os prazos, o que caracterizava praticamente o abandono do fator tempo na valoração do risco.20170929_TesouroIPCA-análise

Como pode-se notar, há 6 meses todas as Notas do Tesouro indexadas aoIPCA para 2019 se descolaram desta curva, para hoje remunerar 3,01% acima da inflação, o que aponta para a segurança do mercado quanto ao cumprimento da Meta de Inflação em 2017 e em 2018, mas também pela confiança de que a autoridade monetária se manterá proativa em sua atividade primária: controle inflacionário.

Entretanto, para as pontas mais longas, o descolamento dos juros de 5,0% acima do IPCA passa a vir apenas para 2024 e apenas em agosto, após a consolidação de parte do cenário político-criminal brasileiro.

Ainda que uma reviravolta possa vir com as prévias eleitorais, parece que o mercado aposta em estabilidade para os próximos anos, ainda que esta não possa ser medida como bullish ou dovish. A ver.


Indicadores


Ibovespa

O Ibovespa fechou a semana em queda q novamente, desta vez após operar durante 6 pregões seguidos em queda.

Depois do fechamento histórico de 76.004 do dia 20/09, o principal índice da BMF&Bovespa seis quedas até voltar a subir na sexta-feira. Mesmo assim, fechou a semana com queda de 1,45%, com os operadores realizando lucros nas últimas sessões e preparando terreno para a próxima rodada.

 

 

Câmbio

A moeda americana operou em alta na semana, fechando acima do patamar dos R$ 3,15.

O mercado parece já operar tranquilamente com o piso de R$ 3,10 para o Dólar, ainda que haja uma enxurrada de moeda para entrar no País com a possível melhora econômica que posse vir nos próximos meses.

O Euro fechou a semana em R$ 3,738, estável em relação a sexta-feira anterior. Contra o Dólar: US$ 1,181 (-1,1%).

 

 

DI Pré

Na semana passada o mercado operou estável com relação aos juros de curto prazo, já que há poucas novidades no front da inflação, exceto as notícias referentes a preços administrados.

A 360 segue buscando o patamar de 7,0% a.a., fechando a sexta-feira em 7,13% a.a.. A 540 fechou a semana em 7,41% a.a., estável em relação à semana anterior.

A 720 encerrou a sexta-feira em 7,87% a.a., em leve alta.

 

 

Curva DI Pré

A curva da DI x Pré fechou a semana com o vértice mais curto, Jan/18, em 7,44% a.a., e com a Jan/19 em 7,29% a.a., confirmando a terceira semana de previsão de juros em queda ao longo de 2018.

Jan/20, Jan/21 e Jan/22 voltaram a subir na semana, com a expectativa de que um eventual repique da inflação chame o Copom a voltar a subir os juros em 2 anos.

Com bandeiras de energia em alta, isto pode ocorrer antes.

 

 

DI IPCA

A DI x IPCA segue operando de forma relativamente estável desde o fim de julho, quando se cristalizaram as expectativas de baixa inflação tanto em 2017 como em 2018.

Desde então, os vértices mais negociados da curva vêm tradando para baixo de 3,5% a.a. acima do IPCA, com a 540 voltando a se aproximar dos 3,0% ao ano.

Para o mercado, os juros reais começam a ficar baixos nestes prazos, abrindo espaço para crédito de curto prazo.

 

 

Tesouro IPCA (antigas NTN-b)

A partir desta semana, a Tailor trará o acompanhamento da Tesouro IPCA 2045, ao passo que deixará de acompanhar a 2019 a partir de novembro.

As curvas de longo prazo seguem sugerindo estabilidade de expectativas, ainda que a ponta mais curta, 2024, siga em tendência de valorização.

O cenário mantém o mercado confiante tanto nos juros como na inflação sob controle.

 

 

Fonte: BMF&Bovespa, Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional. Os gráficos têm bases semanais, com o fechando do último dia útil de cada semana.

Agenda


Nesta semana atenção para o IPCA de setembro e para a Produção Industrial de agosto, segundo o IBGE.

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